Greenpeace critica falta de ambição no acordo final da COP30

A Greenpeace manifestou forte deceção com o resultado final da COP30, considerando que o acordo aprovado está longe de responder à gravidade da crise climática. A organização lamenta que, apesar do apoio inédito à necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e travar a desflorestação, a cimeira tenha terminado sem qualquer plano de ação concreto.

Redação

A Greenpeace manifestou forte deceção com o resultado final da COP30, considerando que o acordo aprovado está longe de responder à gravidade da crise climática. A organização lamenta que, apesar do apoio inédito à necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e travar a desflorestação, a cimeira tenha terminado sem qualquer plano de ação concreto.

Em comunicado, a Greenpeace diz que o documento final não apresenta avanços relevantes no financiamento climático e falha em corresponder à urgência apontada pela comunidade científica. As tensões geopolíticas voltaram a evidenciar um fosso entre as prioridades de alguns governos e a realidade das populações já afetadas pelos impactos das alterações climáticas.

Ainda assim, a organização destaca sinais positivos, nomeadamente o apoio de mais de 80 países à transição para o abandono dos combustíveis fósseis, compromisso que deverá voltar à agenda na cimeira convocada por Colômbia e Holanda para 2026. Também a forte mobilização social, com especial destaque para a participação dos povos indígenas da Amazónia, foi vista como um indicador de esperança e resiliência.

A expectativa inicial era de que a primeira COP realizada em plena floresta amazónica resultasse num plano para pôr fim à desflorestação até 2030 e colmatasse a escassa ambição dos planos climáticos atuais, cujas metas vão apenas até 2035. Nada disso se concretizou, e o último dia da conferência ficou marcado por uma objeção da Colômbia face à falta de progressos em mitigação, o que levou a uma suspensão temporária da sessão final.

Para Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace Portugal, o desfecho é “particularmente dececionante”, atendendo ao simbolismo da localização da cimeira. Sublinha, no entanto, que surgiram “coligações e iniciativas importantes” que podem vir a influenciar políticas climáticas nos próximos anos. Destacou igualmente o papel dos povos indígenas, fundamentais para a proteção das florestas.

Eva Saldaña, diretora-executiva da Greenpeace Espanha, considera que a conferência “não esteve à altura das crises climática, social e de biodiversidade” e lamenta que dinâmicas de poder ultrapassadas tenham impedido um acordo mais ambicioso. Defende agora que Europa, Portugal e Espanha devem concretizar, a nível interno, aquilo que defenderam em Belém.

Do Brasil, Carolina Pasquali, diretora-executiva da Greenpeace no país, nota que o apelo do Presidente Lula para que fossem avançados planos de ação robustos não encontrou correspondência num cenário multilateral “bloqueado”. Ainda assim, destaca como conquista a demarcação de 14 territórios indígenas — mais de 2,4 milhões de hectares — durante as duas semanas de COP.

Também responsáveis da Greenpeace Internacional deixaram críticas severas. Para Jasper Inventor, diretor-adjunto de programas, a COP30 “começou com ambição e terminou em profunda deceção”. Já Tracy Carty, especialista em política climática, afirma que as negociações foram prejudicadas por falta de financiamento, pela ausência de liderança dos países do G20 e pela influência da indústria dos combustíveis fósseis. An Lambrechts, especialista em biodiversidade, lamenta que Belém tenha falhado em acordar um plano de ação para travar a destruição florestal até 2030, classificando como “obscena” a proposta da indústria agropecuária que permitiria manter a conversão de florestas em áreas agrícolas.

A Greenpeace conclui que, apesar do fraco resultado da cimeira, a pressão social está a aumentar e será decisiva nas próximas negociações internacionais. “Cada vez somos mais e continuaremos a exigir que as palavras se transformem em ações”, afirma a organização.

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