Greenpeace Portugal diz que o “sucesso do SDR dependerá agora da sua implementação no terreno”

A Greenpeace Portugal defende que arranque do SDR é passo importante, mas pede mais ambição na redução de embalagens.

Redação

A entrada em vigor do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), esta sexta-feira, 10 de abril, representa um “passo importante” para Portugal reduzir o desperdício de embalagens de bebidas e aumentar a recolha de materiais como o plástico e o metal. Depois de vários adiamentos, este arranque “é positivo e mostra que o país não pode continuar a desperdiçar recursos nem a permitir que toneladas de embalagens acabem no lixo, na natureza ou no mar”, sublinha a Greenpeace Portugal, em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o sucesso do sistema dependerá agora da sua implementação no terreno, defendendo que o SDR tem de ser simples, acessível e eficaz para os consumidores, com uma rede adequada de pontos de devolução, informação clara e capacidade real de aumentar as taxas de recolha.

A organização considera, contudo, que esta medida não é suficiente por si só, alertando para a necessidade de acelerar a redução do plástico descartável, reforçar soluções de reutilização e colocar a prevenção de resíduos no centro das políticas públicas.

A coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, Ana Farias Fonseca, afirma que “o plástico é um problema que teima em desaparecer e o seu impacto vai muito além da poluição visual ou da ameaça à vida marinha. Estamos perante uma verdadeira crise de saúde pública: o plástico, derivado em 99% de combustíveis fósseis, já não está apenas no ambiente, está dentro de nós.”

“Felicitamos Portugal pela implementação do SDR, mas não podemos ficar por aqui. O sucesso deste sistema prova que a pressão pública funciona, mas a batalha global está apenas a começar. Portugal deve agora ser uma voz ativa na defesa de um Tratado Global dos Plásticos ambicioso, que não se foque apenas na reciclagem, mas que pressione para um corte significativo na produção de plásticos de uso único”, acrescenta.

A organização apela ainda ao envolvimento da população na campanha e na assinatura de uma petição que visa reforçar a ação política nesta área.

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