Das 1.233 alegações de compromissos para com a redução dos impactos ambientais feitas por 33 das maiores empresas de carne e laticínios do mundo, 1.213 (98%), podem ser classificadas como falsas, representando casos de “greenwashing”.
A revelação é feita num artigo publicado recentemente na revista ‘PLOS Climate’, liderado por investigadores da Universidade de Miami, dos Estados Unidos da América.
A conclusão tem por base a análise dos compromissos e alegações ambientais que constam em relatórios de sustentabilidade e nos websites dessas empresas, referentes ao período entre 2021 e 2024, tudo informação disponível publicamente, asseguram os autores. O objetivo era perceber se os compromissos e alegações apresentavam formas claras e alcançáveis para reduzirem os seus impactos ambientais ou se eram, ao invés, intencionalmente enganadores.
De acordo com o estudo, 841 (68%) alegações foram classificadas como relacionadas com questões climáticas, pois direta ou indiretamente endereçavam reduções de gases com efeito de estufa ou os impactos das alterações climáticas. Os investigadores dizem que a prevalência desse tipo de alegações ambientais mostra que as alterações climáticas tornaram-se na principal forma de enquadrar compromissos de sustentabilidade.
Ainda, 467 alegações (38% do total) eram o que os autores chamam de “projeções futuras não verificáveis”, que incluíam alegações vagas como “alcançar a neutralidade carbónica até 2030” ou “permitir, até 2030, a recuperação de 600 mil milhões de litros de água em regiões em stress hídrico”.
A investigação constatou que para 356 alegações (29%) as empresas forneciam evidências para suportar o que declaravam, mas, após análise, as evidências científicas apenas suportavam três delas, duas das quais relacionadas com as alterações climáticas.
Quanto às emissões de gases com efeito de estufa, o estudo revela que 17 dessas 33 empresas abrangidas pela investigação assumiam compromissos para com a descarbonização. Contudo, as promessas assentam sobretudo na compensação e não da descarbonização direta.
“O ‘greenwashing’ era uma prática generalizada nos relatórios de sustentabilidade das maiores empresas de carne e laticínios do mundo, o que pode criar a ilusão de progresso climático”, diz Maya Bach, primeira autora do estudo.
“Preocupa-nos que estas alegações possam induzir o público em erro, influenciar os consumidores e reduzir a pressão nos legisladores para que tomem medidas climáticas”, acrescenta.
O estudo estima que 57% das emissões de gases com efeito de estufa do setor global da produção alimentar provém da indústria da carne e do leite, sendo que será também responsável por pelo menos 16,5% de todas as emissões a nível mundial.
“Quando tanto do que estas empresas dizem parece ser promessas vazias que não são suportadas por evidências ou investimento”, diz Jennifer Jacquet, que também assina o artigo, falar das alterações climáticas, como muitas delas fazem, é mais “um exercício de relações públicas do que cuidar do planeta”.









