“Grupo fortemente armado” mata dois guardas-florestais na República Democrática do Congo

De acordo com as informações divulgadas pelos responsáveis dessa área protegida, as vítimas foram Kasereka Valyathire Baraka, de 35 anos, e Munguakonkwa Mihigo Jacques, de 34. Ambos deixaram uma esposa e dois filhos, e estavam de serviço num posto de vigia na margem sul do Lago Edward quando o grupo disparou sobre a instalação.

Filipe Pimentel Rações

Dois guardas-florestais do Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo (RDC), foram mortos na manhã do dia 21 de maio por um “grupo não-identificado e fortemente armado”, que abriu fogo sobre o seu posto de vigia.

De acordo com as informações divulgadas pelos responsáveis dessa área protegida, as vítimas foram Kasereka Valyathire Baraka, de 35 anos, e Munguakonkwa Mihigo Jacques, de 34. Ambos deixaram uma esposa e dois filhos, e estavam de serviço num posto de vigia na margem sul do Lago Edward quando o grupo disparou sobre a instalação.

Kasereka Valyathire Baraka, à esquerda, e Munguakonkwa Mihigo Jacques, à direita, foram mortos no dia 21 de maio quando estavam de serviço no parque nacional de Virunga. Foto: Virunga National Park.

“Este ataque foi premeditado e não foi provocado”, dizem as autoridades da RDC, e “acontece numa altura em que as nossas equipas estão a trabalhar sob uma pressão excecional para proteger o Parque, no meio do conflito em curso no leste do Congo”.

A agência de conservação da Natureza da RDC, a ICCN, já pediu uma “investigação imediata e detalhada para identificar e levar à justiça os perpetradores e aqueles que ordenaram este ataque”, um apelo a que o Parque Nacional de Virunga se junta.

Segundo o website ‘Mongabay’, estas mortes são apenas as mais recentes num rol de mortes de guardas-florestais de Virunga nos últimos meses, especialmente nas regiões orientas da RDC. Tal deve-se sobretudo aos conflitos, de vários anos já, entre as forças de segurança democrático-congolesas e grupos rebeldes, como o M23, que se considera ser apoiado pelo Ruanda, país com o qual o parque faz fronteira e que nega as acusações.

Por essas razões, o Parque Nacional de Virunga regista mais mortes de guardas-florestais do que qualquer outra área protegida na RDC, pelo que é descrito coo um dos postos de conservação mais perigosos do mundo.

O Parque de Virunga está classificado como Património Mundial da UNESCO e é um dos grandes pontos de biodiversidade a nível mundial, albergando, por exemplo, populações de gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei), categorizada com o estatuto de ameaça “Em perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Além disso, é constituído por uma grande variedade de habitats, maior do que qualquer outro parque africano: estepes, savanas, planícies, zonas húmidas, floresta e montanhas cobertas de neve e gelo, incluindo dois dos vulcões mais ativos do continente.

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