O Grupo Axpo (empresa suíça dona da comercializadora portuguesa de eletricidade 100% verde e gás natural, Goldenergy), converteu o Porto Sines num caso de sucesso na inovadora solução de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) “ship-to-ship” (entre barcos), tendo destacado este case study na Conferência “Oportunidades da transição energética num mundo em mudança”, que a Goldenergy e a Axpo promoveram no passado dia 25 de maio no CCB, em Lisboa, foi divulgado em comunicado.
A mesma fonte recorda que a Axpo Solutions AG, realizou, no dia 5 de julho de 2025 a primeira operação de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) “ship-to-ship” no Porto de Sines, fornecendo 2.400 toneladas métricas de GNL ao navio porta-contentores MSC Togo, numa operação que foi considerada um sucesso e que será a primeira de muitas mais a acontecer no Porto de águas profundas em Sines. Até ao momento a Axpo já realizou três operações de fornecimento de BioLNG, num volume total de 7.100 toneladas.
De acordo com Andrea Hernandéz Chica, que apresentou o caso de sucesso da Axpo, Sines possui um enorme potencial para crescimento desta inovadora forma de abastecimento de GNL, através de um transporte marítimo mais limpo, já que o Porto de Sines beneficia de ter um posicionamento Atlântico, Infraestruturas em águas profundas, rotas internacionais e uma forte conectividade energética.
Tal como referiu Andrea Hernandéz Chica na Conferência anual da Goldenergy e Axpo, “A transição energética do setor do transporte marítimo já está em curso. A questão já não é se o transporte marítimo irá descarbonizar, mas sim quão rapidamente isso acontecerá”.
Uma das novidades desta conferência foi a apresentação do estudo da consultora PwC sobre a mobilidade elétrica em Portugal, que serviu de base ao debate que se seguiu sobre “os desafios do novo regime da mobilidade elétrica”, que contou com a participação de Rui Ponte, diretor de mobilidade elétrica da Prio; Mariana Albuquerque, Chief Legal Officer da Powerdot e Lisa Pinto Ferreira, advogada especializada em temas de energia. Numa altura em que se discute em Portugal o novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, o estudo a PwC destaca diferentes abordagens dos mercados europeus na relação entre regulação e interoperabilidade, cada uma com trajetórias e resultados distintos.
Destaque para o exemplo de França, onde o Governo francês adotou uma abordagem regulatória clara, impondo interoperabilidade obrigatória aos operadores e exigindo a partilha de dados em plataformas de roaming. Ainda que este país partia de uma situação inicial fragmentada, com redes isoladas, métodos de pagamento incompatíveis e dados incompletos sobre disponibilidade e preços. A decisão regulatória francesa de 2017 criou um mercado concorrencial e dinâmico, com a plataforma Gireve como principal player agregador. O resultado foi uma das melhores taxas de adoção de veículos elétricos na Europa, com uma experiência de utilizador padronizada e fluida, mesmo entre operadores concorrentes.
Já em Espanha foi seguida uma trajetória distinta, com menor envolvimento público na garantia de infraestrutura ou interoperabilidade. Grandes utilities energéticas investiram nas suas próprias redes, frequentemente fechadas aos concorrentes, optando por estratégias de bundling que fidelizam o cliente a um ecossistema integrado de eletricidade, gás e carregamento de veículos. Como resultado, o mercado espanhol da mobilidade elétrica caracteriza-se por menor transparência de preços e pela necessidade de múltiplas aplicações para aceder a diferentes redes.
O novo enquadramento legal em Portugal para a mobilidade elétrica “abre espaço à inovação e à diferenciação de serviços, mas também levanta desafios quanto à continuidade do acesso universal e ao risco de fragmentação da rede. A forma como operadores e reguladores irão responder a estas mudanças será determinante para o futuro da mobilidade elétrica em Portugal, pelo que as empresas que atuam no mercado pedem que exista informação clara para que se possam adaptar às novas regras do mercado. Isto mesmo foi referido no painel de debate sobre mobilidade elétrica na conferência da Goldenergy e Axpo, que decorreu esta segunda-feira no CCB”, sublinha a nota.
Biometano e independência energética
Também o biometano como solução energética que já contribui para a descarbonização e a competitividade de vários setores esteve em debate com a participação de Eugenia Sillero, secretária-geral da GASNAM, associação ibérica que fomenta o uso de alternativas sustentáveis na mobilidade terrestre e marítima; Ana Calhôa, secretária-geral da Associação de Bionergia Avançada; Teotónio Andrade dos Santos, administrador executivo da Transportes Urbanos de Braga e Paulo Almeida, empresário do setor da cerâmica, administrador da empresa Primus Ceramics. “A geoestratégia internacional e as suas consequências na independência energética” foi o tema de uma Master Class a cargo de Paulo Portas, ex. vice-Primeiro-ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Miguel Checa, General Manager da Goldenergy e Ignacio Soneira Managing Director da Axpo Iberia (do grupo suíço Axpo, acionista maioritário da Goldenergy), destacaram nas suas intervenções os desafios que as duas empresas têm atualmente pela frente, tendo em conta a atual conjuntura mundial.
Segundo Ignacio Soneira, os desafios geoestratégicos atuais não impedem o crescimento das duas empresas no mercado nacional, garantindo que “estamos de pedra e cal em Portugal, continuamos a crescer, temos um plano de investimento ambicioso para o mercado nacional onde vamos com certeza reforçar a nossa presença. Destaco, por exemplo, a aposta no Biometano – onde temos preparados investimentos importantes – ou a atuação da Goldenergy no mercado residencial da eletricidade e do gás em que a empresa de Vila Real é já a segunda maior comercializadora em pontos de abastecimento e está muito próxima de chegar ao milhão de clientes”.









