Há cada vez mais licenciados a recorrer ao microcrédito

Há cada vez mais licenciados a recorrerem ao microcrédito para financiar os seus próprios projectos empresariais, de acordo com a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), uma organização sem fins lucrativos.

Segundo avançou ao Expresso Manuel Brandão, presidente da organização, deveremos chegar a Dezembro com 170 negócios creditados. Ainda que a maioria dos microempresários tenha o ensino secundário, há cada vez mais licenciados a recorrerem a este tipo de financiamento.

“Há cada vez mais pessoas com formação superior [a recorrerem ao microcrédito]. Hoje temos mais arquitectos, engenheiros, juristas. Já intermediámos negócios de montagem de ateliês ou de escritórios de advocacia. Para começar, o montante financiado tem chegado”, explicou Manuel Brandão ao Expresso.

“Há também caso de pessoas que abrem negócios fora da sua formação. Fazem cursos de psicologia ou antropologia social, por exemplo, e depois de um ou dois anos [sem emprego] estão dispostos a encarar outro modo de vida. Estamos cada vez mais convictos de que o microcrédito para este público é tão necessário como para qualquer outro”, continuou.

Este crescimento espelha uma realidade emergente, a dos jovens qualificados que, estando em situação de precariedade, arriscam investir na criação do seu próprio projecto empresarial, como forma de superarem as diversidades. Isto, diga-se, apesar da conjuntura adversa.

Em 2010, de acordo com a ANDC, o número de cidadãos a recorrerem ao microcrédito para financiarem os seus projectos desceu 33%. Agora, esta tendência volta a inverter-se.

Assim, em 2009 foram 228 os projectos financiados através do microcrédito, um número que diminuiu para os 153 em 2010. Este ano, nos primeiros oito meses do ano, 87 negócios já conseguiram este financiamento.

Estes microempresários são na sua maioria mulheres (52,5%), e só em 2011 já criaram 125 postos de trabalho. A maioria tem entre 25 e 35 anos, o ensino secundário e nacionalidade portuguesa. Há também 12,3% de licenciados.

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