Imagens raras de crias de urso-polar a saírem das tocas pela primeira vez captadas em Svalbard

Um grupo internacional de investigadores revelou as primeiras imagens detalhadas de crias de urso-polar (Ursus maritimus) a emergirem pela primeira vez das tocas onde nasceram, no arquipélago norueguês de Svalbard, na região do Ártico.

Redação

Um grupo internacional de investigadores revelou as primeiras imagens detalhadas de crias de urso-polar (Ursus maritimus) a emergirem das tocas onde nasceram pela primeira vez, no arquipélago norueguês de Svalbard, na região do Ártico.

Através de dados recolhidos por satélite para obter a localização das tocas e de dispositivos de foto-armadilhagem, os especialistas conseguiram desvendar alguns dos mistérios associados ao comportamento de reprodução e de cuidado das crias nos seus primeiros dias de vida. Como as progenitoras escavam as suas tocas no gelo em áreas remotas, estudar esse aspeto das suas vidas não é fácil, impossibilitando responder as muitas questões.

Saber quando as crias, e a progenitora, emergem das tocas e como se comportam nesses primeiros momentos de descoberta de um mundo ainda desconhecido é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre a espécie, bem como sobre o futuro das populações de ursos-polares, uma vez que as crias são o seu futuro.

Com o aquecimento global a reduzir a cobertura de gelo no Ártico e com o avanço da presença humana para essa região outrora praticamente inacessível, saber onde e quando as crias saem das tocas pode ser indispensável para assegurar a sua proteção.

Louise Archer, da organização Polar Bears International e investigadora na Universidade de Toronto em Scarborough (Canadá), é a primeira autora do artigo publicado esta semana na revista ‘The Journal of Wildlife Management’, que dá conta das descobertas. Em comunicado, destaca que as progenitoras de urso-polar “estão a ter cada vez mais dificuldade em se reproduzirem devido às mudanças causadas pelo clima, e deverão enfrentar ainda mais desafios com a expansão da pegada humana no Ártico”.

Progenitora com a cria nas terras geladas de Svalbard (Noruega).
Foto: Kt Miller / Polar Bears International

Para ela, o conhecimento obtido neste estudo abre novas vias de investigação que podem ajudar a proteger as crias e, assim, também a espécie.

Entre as principais descobertas, a equipa notou que as crias e as progenitoras emergem das suas tocas em Svalbard no início de março e tendem a abandoná-las mais cedo do que estudos anteriores tinham registado. Os investigadores dizem que a mudança no calendário de emergência das tocas pode pôr em risco a sobrevivência das crias, pois se saírem antes de estarem totalmente prontas, podem sucumbir às condições extremas do Ártico.

Algumas das famílias estudadas só abandonavam definitivamente a toca dois dias depois de emergirem pela primeira vez, outras só ao fim de 31 dias. Algumas progenitoras abandonavam a toca e levavam as crias para uma outra.

Quanto às crias, raramente de aventuravam sozinhas fora da toca. As observações recolhidas mostram que elas passavam apenas 5% do tempo no exterior sem a presença da progenitora. Estima-se que na região de Svalbard, as crias dependam das progenitoras até aos dois anos e meio de idade.

Os cientistas defendem que é preciso monitorizar e proteger as áreas onde existem tocas de ursos-polares para assegurar a maior probabilidade de sobrevivência às crias. Isto, porque o período de aclimatização ao mundo exterior é fundamental para que possam adquirir a competências para enfrentarem a dura vida no Ártico.

“Este estudo fornece um vislumbre raro de um dos períodos mais vulneráveis e críticos na vida de uma urso-polar, oferecendo perspetivas que podem ajudar a orientar nos nossos esforços coletivos de conservação”, afirma Megan Owen, da San Diego Zoo Wildlife Alliance e outra das autoras do artigo.

“Ao combinar tecnologia inovadora com investigação a longo-prazo, estamos a ganhar uma compreensão mais profunda sobre os desafios que as progenitoras de urso-polar e as crias enfrentam num Ártico em rápida mudança”, argumenta a especialista, para quem proteger os habitats onde são feitas as tocas “é essencial para a saúde da população”.

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