No ano passado, arderam cerca de 335 milhões de hectares em todo o mundo, a segunda menor área total desde 2002, mas os incêndios foram dos mais destrutivos e mortais desde que há registo.
A conclusão é de um estudo encabeçado pela Universidade de East Anglia (Reino Unido), e que contou com a participação de Paulo Fernandes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e do laboratório colaborativo ForestWISE.
Num artigo publicado na revista ‘Nature Reviews Earth & Environment’, os investigadores dizem que os dados mostram que os incêndios estão a tornar-se mais extremos, dispendiosos e devastadores, tanto em termos económicos como em termos de vidas perdidas.
Apesar de a área ardida em 2025 ter sido uma das menores dos últimos 24 anos e de as emissões de dióxido de carbono por eles libertadas tenham sido as terceiras mais baixas desde 2002 (cerca de 11 mil milhões de toneladas), os cientistas salientam que uma série de fogos florestais “catastróficos” no Canadá, nos Estados Unidos da América, na Europa e na Coreia do Sul resultou em mais de 300 mil evacuações e em mais de 90 mortes humanas.
Para os autores do estudo, isso realça o impacto social cada vez maior dos incêndios florestais de grandes dimensões.
Em termos financeiros, o ano de 2025 já se tornou no mais caro de sempre a nível global para perdas seguradas resultantes dos incêndios, que rondam os 40 mil milhões de dólares. O total, no entanto, incluindo perdas não seguradas, é muito maior, estimando-se que seja da ordem dos 140 mil milhões de dólares.
“2025 mostra que um ano ‘calmo’ globalmente em termos de incêndios florestais pode, ainda assim, ser devastador”, acautela Matthew Jones, primeiro autor do artigo.
“Estamos a ver um desfasamento crescente entre a área total ardida e os verdadeiros impactos, com o risco a ser cada vez mais determinado pelo local, intensidade e exposição do incêndio”, detalha, acrescentando que “sem ações decisivas, as sociedades continuarão a enfrentar riscos humanos, económicos e ambientais cada vez maiores numa era de fogos mais extremos”.
Para esta equipa, é urgente reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa para combater o aquecimento global e medidas de adaptação muito mais fortes, incluindo a gestão proativa de vegetação. Além disso, dizem ser fundamental que as infraestruturas sejam mais resilientes e que os planos de evacuação estejam adaptados a paisagens cada vez mais propensas ao fogo.









