Incêndios nos EUA, cheias e tempestades na Ásia e seca no Brasil estão entre os desastres climáticos mais caros de 2025



Os 10 desastres climáticos mais devastadores de 2025 resultaram em perdas de mais de 122 mil milhões de dólares, estima relatório.

De acordo com a análise da organização não-governamental Christian Aid, o real custo poderá ser muito maior, uma vez que as estimativas têm por base somente perdas seguradas.

Na listagem dos eventos climáticos desastrosos, em primeiro lugar surgem os incêndios que atingiram a área de Los Angeles, no estado norte-americano da Califórnia, em janeiro de 2025. Estima-se que o custo económico desse evento exceda os 60 mil milhões de dólares e que tenha provocado cerca de 400 mortes humanas.

Seguem-se os ciclones na Tailândia, Indonésia, Sri Lanka, Vietname e Malásia, em novembro, que mataram mais de 1.750 pessoas e provocaram perto de 25 mil milhões de dólares de danos. Entre em junho e agosto, as cheias na China causaram também perdas seguradas de quase 20 mil milhões de dólares e mais de 30 mortes.

“Uma vez mais, este ano mostrou a dura realidade da degradação do clima”, lamenta Patrick Watt, diretor-geral da Christian Aid. “Tempestades violentas, cheias devastadoras e secas prolongadas estão a virar as nossas vidas do avesso”, acrescenta, lembrando que as comunidades mais pobres e vulneráveis são as primeiras a sofrer com os impactos da crise climática e as que mais fortemente os sentem.

Mas os autores deste relatório não querem que se pense que os desastres listados são “apenas” eventos naturais que resultam de variações no clima da Terra. Isto, porque eles são bastante claros: a culpa é das emissões de gases com efeito de estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis que o mundo e quem o governa insiste em continuar a usar.

“O sofrimento causado pela crise climática é uma escolha política. É provocado pelas decisões em continuar a queimar combustíveis fósseis, em permitir o aumento das emissões e em quebrar promessas sobre o financiamento climático. Em 2026, os líderes mundiais têm de agir, apoiando as comunidades que estão já a adaptar-se ao nível local e fornecendo recursos urgentemente necessários para proteger vidas, territórios e modos de subsistência”, considera Watt.

Além dos 10 desastres climáticos mais custosos do ano, o relatório analisa também a dezena mais devastadora de eventos extremos que se abateram em 2025 sobre os países mais pobres do mundo, que, como é sabido, pouco têm contribuído para a crise climática e são os que estão mais expostos a esses fenómenos.

Dessa lista, contam as cheias de abril na República Democrática do Congo e de maio na Nigéria, que, no seu conjunto, afetaram milhares de pessoas, incluindo cerca de 700 mortes na Nigéria. A isso junta-se a seca no Irão e no oeste asiático que poderá levar à evacuação de 10 milhões de pessoas que vivem em Teerão devido à falta de água.

“O mundo está a pagar um preço cada vez mais elevado por uma crise que já sabemos como resolver”, lança Joanna Haigh, professora de física atmosférica na Imperial College London, citada em comunicado da Christian Aid.

“Estes desastres não são ‘naturais’, são o resultado inevitável da contínua expansão dos combustíveis fósseis e da inação política. Enquanto os custos atingem os milhares de milhões, os fardos mais pesados recaem sobre as comunidades que têm menos recursos para recuperarem. A menos que os governos atuem agora para cortar nas emissões e financiar medidas de adaptação, esta miséria continuará.”

A análise mostra ainda que nenhum continente escapou a desastres climáticos devastadores em 2025, com pelo menos um desastre em cada uma das seis regiões mundiais habitadas por humanos a surgir no documento, incluindo os incêndios do verão em Portugal e Espanha.






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