Infeções sucessivas têm adiado vinda do elefante Kariba para o santuário no Alentejo

Recentemente, o animal perdeu parte de uma das suas orelhas por causa de uma infeção, adiando novamente a sua transferência da Bélgica para Portugal. A viajem já tinha sido adiada em junho, por causa de um abcesso numa das suas patas.

Filipe Pimentel Rações

Kariba, um elefante-africano fêmea com pouco mais de 40 anos de idade, era suposto ser o primeiro da sua espécie a chegar ao santuário de elefantes que foi construído no Alentejo.

No entanto, segundo informações avançadas pela Pangea, a organização responsável pelo santuário, infeções sucessivas têm adiado a vinda do animal para Portugal.

A transferência de Kariba do zoológico belga Pakawi Park para o santuário estava planeada para o início deste ano, tendo o elefante sido treinado para a viagem para Portugal. Mas em junho foi adiada porque tinha desenvolvido um abcesso numa das suas patas.

De acordo com a informação partilhada esta sexta-feira pela Pangea, desde então foi afetada por duas outras infeções: uma no peito e outra mais séria que resultou na perda de parte da sua orelha esquerda.

Uma infeção levou a perda de parte da orelha esquerda de Kariba, mas médicos dizem que as feridas estão a sarar bem. Foto: Pangea Elephant Sanctuary / Facebook.

A organização diz que há várias razões para o facto de Kariba ter desenvolvido múltiplas infeções. “Uma infeção que não é totalmente curada nem sempre fica no mesmo local”, é explicado numa publicação das redes sociais online.

“As bactérias podem viajar pela corrente sanguínea para novas áreas do corpo, uma razão pela qual um único abcesso persistente pode fazer com que outros apareçam noutros sítios”, refere a Pangea. E acrescenta que os abcessos nas patas podem inclusivamente ser sinal de problemas de saúde mais graves, “especialmente em elefantes mais velhos que viveram em cativeiro, como a Kariba, que têm menos oportunidades para se movimentarem”.

Segundo as informações partilhadas, o Pakawi Park chamou um veterinário especializado em elefantes para tratar e acompanhar a evolução do estado de saúde de Kariba.

As boas notícias é que duas das três infeções já estão praticamente curadas e que as feridas na sua orelha estão a sarar bem. Mas o caminho pela frente ainda é longo, e a Pangea diz que, por isso, não é possível, para já, saber quando o elefante estará apto a viajar para o santuário no Alentejo.

“Os últimos meses têm sido difíceis para ela”, diz a organização.

Kariba, como muitos outros elefantes, teve uma vida marcada por tragédia, sofrimento e solidão. Foi capturada em 1984, ainda bebé, no Zimbabué, onde vivia em liberdade. Retirada da sua família, foi transportada ao longo de milhares de quilómetros até um parque zoológico na Alemanha.

Em 2012, o grande mamífero foi transferido para um outro zoo, na Bélgica, o Pakawi Park, onde passou a partilhar um espaço com outro elefante-africano, Jenny. Contudo, em 2021, Jenny faleceu e Kariba ficou sozinha, um duro golpe para um animal altamente social.

No santuário, Kariba juntar-se-ia a Julie, o último elefante de circo em Portugal, que chegou à sua nova casa no passado mês de julho, depois de quase 40 anos como parte do Circo Victor Hugo Cardinali.

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