A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT anuncia, em comunicado, que o investigador João Pedro Gouveia, Investigador Principal do CENSE – Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, assume a coordenação geral do projeto europeu EP-MED (LIFE-CET_ENERPOV), uma iniciativa estratégica para enfrentar a pobreza energética nos países mediterrânicos da União Europeia.
Segundo a mesma fonte, com um orçamento total de 1,9 milhões de euros e duração de 36 meses, o projeto envolve 17 parceiros de Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Chipre, reunindo universidades, centros de investigação, autoridades públicas e organizações da sociedade civil.
A pobreza energética afeta milhões de pessoas no sul da Europa, onde muitas famílias enfrentam dificuldades em aquecer ou arrefecer adequadamente as suas casas devido aos elevados custos energéticos, aos baixos rendimentos e à ineficiência das habitações. Esta realidade tem impactos significativos na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida das populações mais vulneráveis.
O EP-MED pretende responder a este desafio através da criação ou reforço de Observatórios Nacionais de Pobreza Energética em Portugal, Itália, Espanha e Chipre, bem como da implementação de Centros Regionais em municípios com elevados níveis de vulnerabilidade. Estas estruturas irão apoiar diretamente as famílias e reforçar a coordenação entre entidades públicas e privadas.
O projeto aposta numa abordagem intersetorial, promovendo a articulação entre os setores da saúde, habitação, ação social e energia. Entre as principais ações previstas estão o desenvolvimento de quadros de monitorização abrangentes, o apoio à definição de estratégias nacionais e a elaboração de planos de ação regionais.
O EP-MED aborda ainda dimensões menos estudadas, como a pobreza energética no verão – particularmente relevante em climas mediterrânicos – e os desafios específicos enfrentados pelas regiões insulares da União Europeia. A iniciativa baseia-se em programas europeus já existentes e promove o envolvimento direto de cidadãos e partes interessadas na cocriação de soluções ajustadas aos contextos nacionais.
“É fundamental reforçar a coordenação entre políticas públicas e conhecimento científico para dar respostas eficazes às famílias mais vulneráveis. O EP-MED permitirá estruturar redes e instrumentos de monitorização que assegurem impactos duradouros no combate à pobreza energética”, destaca o investigador João Pedro Gouveia.
Entre os impactos esperados estão o reforço das capacidades institucionais, o intercâmbio transnacional de boas práticas, o envolvimento direto dos cidadãos e a formulação de recomendações políticas baseadas em evidência científica. O projeto prevê ainda a formalização de parcerias com autoridades públicas e decisores políticos, garantindo a sustentabilidade a longo prazo e a possibilidade de replicação do modelo noutras regiões da União Europeia.










