Investigadora de Aveiro usa resíduos da indústria cervejeira para remover antibióticos da água

A investigação, assinada por Érika Sousa, investigadora do Departamento de Química e do CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, uma das unidades de investigação da UA, centrou-se na produção de biochar e carvão ativado a partir do bagaço de malte, um dos principais resíduos da indústria cervejeira.

Redação

Resíduos produzidos pela indústria cervejeira podem ganhar uma nova vida e contribuir para a limpeza de águas contaminadas por antibióticos.

Este é a proposta de uma investigação da Universidade de Aveiro (UA) que desenvolveu materiais a partir de subprodutos da produção de cerveja, “com potencial para tratar águas residuais de forma mais sustentável e eficiente”, diz a instituição em nota publicada na sua página online.

A investigação, assinada por Érika Sousa, investigadora do Departamento de Química e do CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, uma das unidades de investigação da UA, centrou-se na produção de biochar e carvão ativado a partir do bagaço de malte, um dos principais resíduos da indústria cervejeira.

Através de processos que combinam ativação química e pirólise por micro-ondas, um método descrito como sendo uma “alternativa energeticamente mais sustentável aos métodos convencionais”, foi possível obter um carvão ativado com uma elevada área superficial e capacidade para remover da água antibióticos como o sulfametoxazol, o trimetoprim e a ciprofloxacina.

Os materiais desenvolvidos foram testados em diferentes condições, diz a instituição académica, incluindo águas residuais reais, tendo apresentado “resultados competitivos face ao carvão ativado comercial”. Os ensaios permitiram, contudo, perceber que a presença de diferentes compostos nas águas residuais pode reduzir a capacidade de adsorção, devido à competição entre os vários contaminantes.

“Para ultrapassar este desafio, a investigadora modificou a superfície do carvão ativado, introduzindo diferentes grupos funcionais”, explica a UA. “Entre as estratégias testadas, a funcionalização com oxigénio revelou resultados particularmente promissores, aumentando a capacidade do material para remover os antibióticos presentes na água.”

A investigação, realizada durante o Doutoramento de Érika Sousa, explorou ainda a utilização de polímeros de impressão molecular, uma tecnologia que permite criar materiais com maior capacidade para reconhecer e capturar, de forma seletiva, determinados contaminantes. A combinação desta tecnologia com o biochar aumentou “significativamente” a sua seletividade para o sulfametoxazol, mesmo na presença de outros contaminantes, é comunicado.

Os resultados demonstraram também o potencial do biochar em diferentes sistemas de tratamento de água, incluindo processos contínuos, tendo sido possível recuperar a sua capacidade de adsorção através de regeneração térmica. “Esta possibilidade poderá contribuir para tornar estes materiais uma solução economicamente mais viável e sustentável para o tratamento de águas contaminadas”, salienta a UA.

Ao transformar um resíduo da indústria cervejeira num recurso para a remoção de contaminantes emergentes, como os antibióticos, a instituição académica considera que esta investigação contribui para uma “abordagem de economia circular” e para o desenvolvimento de soluções mais sustentáveis de tratamento de águas residuais.

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