Investigadores da Universidade do Porto criam biopesticida à base de eucalipto para reforçar resiliência de culturas agrícolas



Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) está a desenvolver um biopesticida feito a partir de folhas de eucalipto, que pode ajudar produtores de tomate, pimento e couve no combate a doenças bacterianas responsáveis por perdas significativas de produtividade.

Chamado “EucaBio”, está a ser desenvolvido no âmbito do projeto GreenCide, um dos 50 finalistas do programa europeu EIT Food Seedbed Incubator 2025, que é um programa europeu focado em soluções alimentares sustentáveis e tecnológicas.

Em comunicado, a FCUP diz que, após resultados promissores em laboratório, os investigadores estão agora a trabalhar, junto de vários produtores, para validar o potencial deste biopesticida no terreno.

Segundo Cristiano Soares, um dos criadores do produto, os resultados dos testes até agora feitos revelam que “com uma única aplicação do EucaBio, foi possível reduzir substancialmente a severidade da doença”.

“As plantas adquiriram uma resposta de defesa muito mais eficaz, que resulta numa maior resistência ao agente patogénico”, explica o investigador e docente da FCUP.

Com o financiamento concedido pelo programa europeu, a equipa do GreenCide tem marcado presença, nos últimos meses, em diversas feiras agrícolas em Portugal com o objetivo de promover esta solução inovadora e maximizar a interação com a indústria, diz a instituição académica portuense.

“O nosso produto tem despertado grande interesse entre os agricultores, que relatam já ter sido forçados a eliminar produções inteiras por falta de alternativas eficazes”, conta Cristiano Soares.

Graças a esta participação ativa, a equipa conseguiu estabelecer novos contactos com produtores recetivos a testar este produto em condições de campo ou estufa, o que é um passo determinante para o futuro do EucaBio.

“Tem sido uma experiência muito positiva para criarmos contactos, perceber o interesse do setor neste tipo de produtos, mas também para realmente entender que caminho é necessário percorrer para que o EucaBio consiga passar da academia à indústria”, salienta Mafalda Pinto, doutoranda na FCUP e também um dos investigadores envolvidos no desenvolvimento do pesticida.

O objetivo do EIT Seedbed Incubator é dar apoio às equipas finalistas na validação das suas ideias junto do mercado e desenvolver modelos de negócio sustentáveis, com vista à sua escalabilidade na Europa. A final decorre em dezembro, na Polónia, e apurará os três vencedores.

Conta a FCUP, que o desenvolvimento do EucaBio e de outros produtos bioativos à base de eucalipto teve origem no projeto de investigação PEST(bio)CIDE, que decorreu entre 2020 e 2023, onde se estudaram as propriedades herbicidas destes extratos para o controlo de ervas daninhas, causadoras de grandes prejuízos na agricultura.

Considerando os resultados promissores alcançados, a equipa de cientistas decidiu estudar o potencial destas formulações à base de eucalipto contra bactérias e fungos fitopatogénicos.






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