Uma equipa de investigadores da Griffith University, na Austrália, está a testar uma solução inovadora e sustentável para prolongar a frescura das flores cortadas: o uso de plasma atmosférico, uma tecnologia já aplicada nas áreas da medicina e da agricultura.
O estudo procurou avaliar se o plasma poderia substituir os conservantes químicos tradicionalmente utilizados na indústria floral, reduzindo assim o impacto ambiental associado ao transporte e preservação das flores.
Para a experiência, os investigadores utilizaram rosas, gerberas e dálias, divididas em cinco grupos distintos, com diferentes tipos de tratamento – desde flores sem qualquer intervenção até exemplares submetidos ao tratamento completo com plasma atmosférico. O estado das flores foi acompanhado ao longo de duas semanas.
No final do período de testes, os resultados mostraram que os ramos tratados com plasma mantiveram significativamente melhor a cor, frescura e integridade física quando comparados com os restantes grupos.
“A nossa investigação procurou perceber se o plasma atmosférico, uma tecnologia já usada na medicina e agricultura, poderia prolongar a vida das flores cortadas sem recorrer a químicos, e os resultados foram positivos”, afirma Maksym Rybachuk, investigador envolvido no projeto.
Segundo os responsáveis, a maioria das flores cortadas vendidas na Austrália é importada e sujeita a tratamentos químicos, o que gera impactos ambientais e desafios logísticos. O objetivo do estudo é encontrar uma alternativa mais sustentável e livre de químicos para a conservação floral.
O plasma é um estado energizado da matéria gasosa capaz de neutralizar bactérias e agentes patogénicos sem necessidade de substâncias químicas. A tecnologia já tem aplicações em tratamentos médicos, germinação de sementes e preservação alimentar, mas esta é uma das primeiras investigações focadas especificamente em flores cortadas.
A equipa monitorizou diariamente vários indicadores, incluindo perda de peso, absorção de água, alterações de cor e sinais de degradação física.
“Foi impressionante observar que os ramos tratados com plasma mantiveram a sua integridade até ao final da experiência”, destaca Nathan Garland, investigador do Queensland Quantum and Advanced Technologies Research Institute (QUATRI).
O projeto envolveu investigadores das áreas da física, engenharia e ciências biológicas, incluindo a estudante alemã Sophia Gurevich, que participou na investigação internacionalmente.
Após os resultados iniciais, os cientistas esperam expandir a investigação para espécies nativas, sementes e outros materiais biológicos delicados, abrindo caminho para soluções de preservação mais sustentáveis na indústria da floricultura.









