A organização ambientalista Transportes e Ambiente (T&E) lamentou hoje que a Comissão Europeia (CE) tenha perdido a oportunidade de tributar os “lucros excessivos e inaceitáveis” das empresas petrolíferas, e disse que medidas apresentadas são só “solução paliativa”.
A organização europeia comentou em comunicado as medidas de emergência hoje apresentadas pela CE para fazer face à crise energética causada pela guerra na região do Médio Oriente, lamentando que não tenha sido apresentado um plano abrangente para acelerar a implementação de veículos elétricos.
A CE anunciou hoje a criação de um Observatório de Combustíveis para acompanhar as reservas na União Europeia (UE) e identificar e atuar rapidamente perante uma eventual escassez, mas não apresentou recomendações para reduzir o consumo energético, como o teletrabalho ou alternativas ao avião e carro. E sobre um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas admitiu que os países avancem mas disse ser difícil adotar a medida a nível europeu.
A organização, que promove o transporte sustentável na Europa, lamentou sobretudo que não se tenha avançado com o imposto sobre os lucros extraordinários das empresas petrolíferas, estimados em 37 mil milhões de euros.
A T&E defendeu um plano de aceleração para veículos elétricos, com incentivos específicos que podiam ser financiados com os impostos sobre as petrolíferas.
“Em vez da resposta robusta e abrangente de que os europeus necessitam neste momento, a Comissão propôs medidas tímidas. Estas apontam na direção certa, mas não criam os instrumentos adequados da UE, tanto em termos de receitas como de financiamento”, afirmou Antony Froggatt, da T&E, citado no comunicado.
O Gabinete Europeu do Ambiente (EEB na sigla original), que junta organizações ambientalistas de toda a Europa, também lamentou, em comunicado, que tenha ficado de fora a tributação dos lucros extraordinários, ainda que reconheça mérito nas “medidas inteligentes para reduzir os preços através da eletrificação e poupança de energia”.
Também citado no comunicado, o diretor de clima e energia do EEB, Luke Haywood, afirmou que “há sinais de que a UE aprendeu algumas lições com a última crise energética, quando foram gastos cerca de 540 mil milhões de euros para proteger os consumidores do aumento dos preços sem atacar a causa principal: a dependência dos combustíveis fósseis”.
Luke Haywood elogiou a ênfase posta na redução do consumo de combustíveis fósseis, e acrescentou que “enquanto as empresas de petróleo e gás continuam a lucrar, com os preços elevados na ausência de impostos sobre lucros extraordinários, muitos governos ainda optam por isenções fiscais para o gasóleo e o gás para suavizar os preços elevados – uma abordagem cara, sem foco social e que não nos ajudará a reduzir o consumo de combustíveis fósseis.”
A associação ambientalista portuguesa Zero, defendeu igualmente, em comunicado, que mais do que medidas temporárias que podem ser eficazes é importante que a UE reduza de forma clara “os riscos de perpetuar a dependência de combustíveis fósseis”.
“Num contexto em que a UE continua a importar a maior parte da energia que consome e em que o transporte de pessoas e mercadorias representa cerca de um terço das emissões, a prioridade deve ser reduzir rapidamente a procura de petróleo, e não apenas mitigar os efeitos da crise dos combustíveis”, alertou a Zero.
A associação considerou como fundamental para Portugal a eletrificação da economia, dando prioridade ao transporte coletivo de pessoas e de mercadorias (elétricos), à criação de mais renováveis e maior armazenamento de eletricidade, e ao apoio a famílias mais vulneráveis em termos energéticos.
A Zero disse ainda apoiar o teletrabalho e outras medidas que reduzam o consumo de combustíveis fósseis, e alertou que medidas como reduções fiscais podem comportar riscos se não forem temporárias e condicionadas.









