1 de agosto marca o dia em que a humanidade está oficialmente a viver a crédito, depois de termos usados os recursos naturais disponíveis para o ano inteiro. O aviso é da Global Footprint Network (GFN), ANP/WWF e Associação ZERO.

Este dia é apelidado de Earth Overshoot Day, e marca a altura do ano em que a pressão da humanidade nos ecossistemas excede aquilo que o planeta é capaz de fornecer (necessidades humanas de alimentos, madeira, fibras, emissões de CO2, construção). Este ano, a data chega um dia mais cedo. Por comparação, em 1997 a data era assinalada no final de setembro.

Segundo a GFN, estima-se que sejam necessários 1,7 planetas para sustentar o atual nível de recursos necessários às atividades humanas. Se todos vivêssemos sob o standard de vida dos EUA, por exemplo, seriam precisos cinco planetas Terra para satisfazer os recursos necessários a este estilo de vida.

“Estes dados são claros sobre a necessidade de se produzir e consumir de forma muito diferente. O Overshoot Day indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta com uma intensidade cada vez maior, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida, pois sem este Planeta não sobrevivemos”, disse em comunicado Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF.

A biodiversidade global continua a diminuir de forma acentuada, ao mesmo tempo que aumentam as necessidades humanas. Uma das formas de inverter estas tendências perigosas para o futuro da humanidade é apostar numa economia circular “onde efetivamente a utilização e reutilização de recursos é maximizada”. Esta deve ser a prioridade de todas as políticas públicas em todo o planeta.

Outro ponto destacado pelas ONGs é a promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável (por exemplo, optando por comer menos carne e mais fruta e vegetais) e a promoção de uma mobilidade sustentável, com recurso a mais sistemas de transporte público e menos a automóveis.