O Japão disponibilizou, esta terça-feira, 1,2 milhões de euros para financiar projetos das Nações Unidas de assistência humanitária a 680.930 moçambicanos, incluindo estabilidade e resiliência das comunidades afetadas por alterações climáticas e conflitos no norte do país.
“Estes projetos irão apoiar os serviços de saúde, água, saneamento e higiene (‘WASH’), reforçar a resposta a doenças como a cólera, melhorar a assistência de emergência com a disponibilização de ambulâncias, bem como promover a saúde e o empoderamento das mulheres em Cabo Delgado e Nampula”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada.
O diplomata falava, em Maputo, no lançamento dos projetos da Organização das Nações Unidas (ONU) financiados pelo Governo do Japão, num total de 1,4 milhões de dólares (1,2 milhões de euros), tendo explicado que a iniciativa reflete o compromisso nipónico com uma assistência prática e centrada nas pessoas, para promover a estabilidade e a resiliência nas comunidades afetadas por conflitos.
Hamada frisou que estes projetos respondem, sobretudo, aos “múltiplos desafios” no norte do país, além do “impacto crescente de choques climáticos extremos”, garantindo apoio na resposta e na construção de comunidades “resilientes e inclusivas”.
Em concreto, um dos projetos, de resposta multissetorial no norte de Moçambique, a ser implementado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), vai fortalecer a estabilidade e resiliência da comunidade na província de Nampula, norte do país, intervindo na reabilitação e construção de instalações de WASH em espaços públicos, na preparação e reposta à cólera e à varíola, abrangendo 12.000 beneficiários diretos e 30.000 pessoas indiretas, num fundo global de 666.666 dólares (580,5 mil euros).
Outro projeto a ser executado pelos Escritórios das Nações Unidas e serviços para Projetos (UNOPS), prevê, em oito meses, reforçar a resiliência do setor da saúde através de respostas urgentes às necessidades não atendidas nas unidades de saúde reabilitadas nos distritos de Balama, Meluco e Pemba, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, afetada pelo conflito desde 2017.
A iniciativa dos UNOPS, orçada em 300.000 dólares (261,2 mil euros), prevê alcançar um total de 873.730 pessoas, com disponibilização de três ambulâncias.
Com a duração de um ano, o projeto “Salvar vidas e restaurar a dignidade”, da Organização das Nações Unidas para as Mulheres (ONU Mulheres), pretende avançar com um apoio urgente à proteção e empoderamento de mulheres e raparigas nas duas províncias do norte de Moçambique, para 2.900 beneficiárias diretos e 1.600 indiretas, com financiamento num valor de 293.333 dólares (255,4 mil euros).
Já o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) vai implementar o projeto “Fortalecimento do acesso a serviços essenciais de saúde reprodutiva e de resposta à violência baseada em género para mulheres, jovens e raparigas em Cabo Delgado”, orçado em 160.000 dólares (139,3 mil euros), apoiando 58.300 pessoas deslocadas e repatriadas, com a capacitação institucional e técnica nas zonas de difícil acesso, através de brigadas móveis e clínicas, além do reforço de reparação dos centros de saúde.
A presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) moçambicana, Luísa Meque, reconheceu que o “gesto de solidariedade” do Governo do Japão “irá contribuir de forma significativa para responder às necessidades imediatas e urgentes das pessoas afetadas” pelo terrorismo e pelas alterações climáticas.










