Julie, um elefante-africano (Loxodonta africana) fêmea com perto de 40 anos, será um dos primeiros residentes do santuário da organização Pangea Trust que está a nascer no Alentejo.
O animal chegou a Portugal, vindo do sul de África, quando era ainda uma cria, e passou a fazer parte do Circo Cardinali em 1988. Em 2024, Julie deixou de participar nas exibições circenses, em antecipação da proibição do uso de animais selvagens em circos, aprovada em 2018 e que entrou em vigor em 2025.

Foi também há dois anos que o companheiro de Julie, de nome Samba, morreu, pelo que, desde então, a fêmea tem estado sozinha. De acordo com as informações divulgadas pela Pangea, o Circo Cardinali tem vindo a considerar várias opções para o futuro de Julie, tendo, por fim, chegado a um entendimento com a organização não-governamental.
“Muitos circos e zoos na Europa estão a chegar a um ponto em que manter elefantes já não é possível ou apropriado”, diz Kate Moore, diretora da Pangea.
“Trabalhando em parceria com os proprietários para encontrar a solução certa é central para a forma como operamos, como aconteceu com Victor Hugo Cardinali”, aponta a responsável, acrescentando que “as translocações de elefantes são complexas e o seu contínuo envolvimento é inestimável”.
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Julie, cujo realojamento marcará o fim dos animais selvagens em circos portugueses, juntar-se-á a Kariba, um outro elefante-africano fêmea com aproximadamente a mesma idade, como dois dos primeiros moradores no santuário da Pangea, uma área de 402 hectares com capacidade para até 30 animais e considerado o primeiro grande santuário da Europa para elefantes provenientes de cativeiro, como zoos e circos.
Ainda sem avançar datas concretas, a organização diz que Kariba será transferida para o santuário em breve.









