Kariba: Um dos elefantes de cativeiro que encontrará nova casa no santuário em Portugal

O elefante fêmea, com cerca de 40 anos de idade, passou praticamente toda a sua vida em cativeiro em zoos na Europa, depois de, ainda bebé, ter sido separada da sua família no Zimbabué.

Filipe Pimentel Rações

Kariba é um elefante-africano (Loxodonta africana) fêmea que foi capturada em 1984, ainda bebé, no Zimbabué, onde vivia em liberdade. Retirada da sua família, foi transportada ao longo de milhares de quilómetros até um parque zoológico na Alemanha.

Em 2012, o grande mamífero foi transferido para um outro zoo, na Bélgica, o Pakawi Park, onde passou a partilhar um espaço com outro elefante-africano, Jenny. Contudo, em 2021, Jenny faleceu e Kariba ficou sozinha, um duro golpe para um animal altamente social.

Apesar de uma vida de quase 40 anos de cativeiro, que começou com a separação forçada da sua família, Kariba terá uma nova vida no santuário de elefantes da organização Pangea que está a nascer no Alentejo.

No ano passado, a organização confirmara que Kariba seria o primeiro elefante a chegar ao santuário, o que estaria previsto para o início de 2026. De acordo com as informações mais recente, o animal está já a ser preparado para a transferência, com exames médico-veterinários regulares.

Kariba, no zoo Pakawi Park, na Bélgica, a ser treinada para ser possível reduzir o stress durante exames médicos, fundamentais para garantir que a fêmea com cerca de 40 anos está apta para ser transferida para o santuário em Portugal. Foto: GAIA.

“Apesar de algumas questões de saúde relacionadas com a idade, [Kariba] tem passado consistentemente nestes testes”, diz a Pangea.

As equipas de tratadores no zoo belga estão a fazer uma série de exercícios com Kariba, para habituá-la ao manuseamento e aos procedimentos veterinários, dessa forma reduzindo o stress a eles associados e criando laços de confiança com os humanos que tratam dela.

A organização está a apelar a donativos do público para financiar o transporte de Kariba até ao santuário no Alentejo, com uma área de 402 hectares, uma capacidade para até 30 animais e considerado o primeiro grande santuário da Europa para elefantes provenientes de cativeiro, como zoos e circos.

Primeira fase do santuário concluída

No dia 27 de março, a Pangea anunciou a conclusão da construção do primeiro estábulo e que o habitat para receber os primeiros elefantes está pronto, apesar de “tempestades históricas, cheias persistentes e lama profunda que desaceleraram consideravelmente o progresso”.

O estábulo, que a organização diz ter sido concebido com o melhor conhecimento científico disponível, é uma “infraestrutura crítica” que servirá de abrigo para os elefantes, bem como de local de realização de atividades médicas e de treino.

O primeiro estábulo do santuário está concluído e pode albergar até cinco elefantes em simultâneo. Foto: Pangea Trust.

A instalação tem no interior espaço para até cinco elefantes, com compartimentos individuais.

“Múltiplos habitats ligar-se-ão a este hub central, permitindo-nos separar os elefantes por espécie [o santuário poderá acolher tanto elefantes-africanos como elefantes-asiáticos] e por sexo, ou até mesmo por personalidade quando necessário”, explica a Pangea.

Com a primeira fase do projeto concluída, a organização agora vira-se para o planeamento do segundo habitat.

Partilhe este artigo
Evento em destaque


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.