Dados recolhidos por uma equipa de cientistas a estudar a Lampetra lusitanica, espécie sem valor gastronómico e que existe apenas na baía do Sado, apontam para um “declínio acentuado do número de efectivos”, disse Catarina Mateus, investigadora da Universidade de Évora. “Verifica-se uma redução drástica da área de distribuição desta espécie de água doce”, alertou a bióloga.
As conclusões foram tidas no âmbito de um trabalho de investigação sobre a “Lampetra lusitanica”. Já há três anos a investigação desta equipa, que conta com o apoio do MARE, Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, tinha identificado esta espécie das demais lampreias existentes em Portugal, migradoras e não migradoras.
“É uma espécie à beira da extinção, se não se fizer nada rapidamente”, declarou o investigador Pedro Raposo de Almeida, da Universidade de Évora, à Lusa. “É urgente adoptar medidas dirigidas à conservação desta espécie e do seu habitat, caso contrário a mesma poderá extinguir-se num futuro próximo.”
A lampreia do Sado habita um dos rios portugueses onde a pressão das actividades humanas se faz sentir de forma notória na qualidade e disponibilidade da água. Nesse local a “intermitência de algumas linhas de água é responsável por ‘stress’ hídrico, condição agravada pela presença de inúmeras tomadas de água, de efluentes contaminados com resíduos orgânicos, vários focos de poluição e proliferação de espécies piscícolas exóticas”, explicam os investigadores.
Para a responsável do projecto de investigação, Catarina Mateus, a reabilitação do leito e margens da ribeira da Marateca poderão ser determinantes para evitar a sua extinção.
Foto: Filipe Lopes









