Leite de coala pode ajudar a melhorar cuidados a crias órfãs

O estudo analisou a forma como o leite das fêmeas de coala muda ao longo do primeiro ano de vida das crias, adaptando-se às diferentes necessidades de crescimento, desenvolvimento e proteção imunitária.

Redação

Um novo estudo sobre o leite dos coalas poderá revelar-se fundamental para reforçar a conservação desta espécie australiana ameaçada, ajudando a melhorar os cuidados prestados a crias órfãs em centros de reabilitação.

A investigação foi liderada pela Edith Cowan University e integra um projeto mais amplo desenvolvido pelo The University of Sydney e pelo Australian Research Council Centre of Excellence for Innovations in Peptide and Protein Science.

O estudo analisou a forma como o leite das fêmeas de cоala muda ao longo do primeiro ano de vida das crias, adaptando-se às diferentes necessidades de crescimento, desenvolvimento e proteção imunitária.

Segundo o investigador de doutoramento Manujaya W. Jayamanna Mohottige, o leite de cоala “é muito mais do que alimento”.

“Contém péptidos e proteínas que ajudam a cria a crescer mais forte, apoiando a energia, o desenvolvimento e a proteção nas fases iniciais da vida”, explica.

As crias de cоala nascem extremamente pequenas e vulneráveis, dependendo quase totalmente da mãe para sobreviver. Ao contrário do leite humano, o leite dos marsupiais altera significativamente a sua composição ao longo da lactação para responder às necessidades em constante mudança das crias.

Os cientistas identificaram diferenças importantes entre as fases iniciais, intermédias e tardias da lactação. O leite produzido nas primeiras fases parece desempenhar um papel essencial na proteção imunitária, enquanto o leite intermédio poderá ajudar no desenvolvimento cerebral durante o período de crescimento mais acelerado. Já o leite das fases finais acompanha a crescente independência da cria.

A professora Michelle Colgrave afirmou que o objetivo principal passa por criar fórmulas de substituição do leite mais eficazes para crias órfãs.

“Muitos jovens coalas que chegam aos centros de reabilitação precisam de ser alimentados manualmente, e as taxas de sobrevivência podem ser melhoradas”, diz.

Os investigadores acreditam que reproduzir nas fórmulas artificiais as mudanças naturais observadas no leite materno poderá aumentar significativamente as hipóteses de sobrevivência e desenvolvimento saudável das crias criadas em cativeiro.

A equipa pretende agora estudar de que forma fatores como habitat, alimentação e diferenças genéticas influenciam a composição do leite.

O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Biological Macromolecules.

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