“Likweli” é apenas a quinta espécie de macaco descoberta em África nos últimos 75 anos

Trata-se de um cólobo a que foi dado o nome científico de Colobus congoensis, e é apontado como um macaco “raro e misterioso” e desconhecido mesmo de muitas pessoas que vivem perto das áreas onde ele ocorre. Aqueles que o conhecem chamam-lhe “Likweli”, e os cientistas dizem que esse deve manter-se como o nome comum da nova espécie descrita.

Filipe Pimentel Rações

No dossel de uma floresta húmida na República Democrática do Congo vive uma espécie de macaco só agora descoberta, no que os cientistas dizem ser um importante marco na primatologia moderna.

Trata-se de um cólobo a que foi dado o nome científico de Colobus congoensis, e é apontado como um macaco “raro e misterioso” e desconhecido mesmo de muitas pessoas que vivem perto das áreas onde ele ocorre. Aqueles que o conhecem chamam-lhe “Likweli”, e os cientistas dizem que esse deve manter-se como o nome comum da nova espécie descrita.

Com o corpo coberto por pêlo preto, manchas alaranjadas na zona da boca e nariz, “cabelo” espetado e olhos muito escuros enquadrados pelo que parece ser uma máscara de dormir, é apenas uma de cinco espécies descobertas em África nos últimos 75 anos. Permaneceu escondida numa região remota da Bacia do Congo, apesar de décadas de exploração científica na África central.

Tudo começou em 2008, quando investigadores captaram uma fotografia pouco nítida deste macaco, sem que conseguissem perceber de que espécie se tratava. Cerca de uma década depois, o animal voltou a ser observado e, dessa feita, conseguiu-se uma imagem mais clara, catalisando mais esforços em busca do primata esquivo.

Agora, dados sobre traços físicos, características genéticas e vocalizações permitem aos cientistas confirmar, num artigo publicado na revista ‘PLOS One’, que se trata realmente de uma espécie até agora desconhecida da Ciência.

Entre 2018 e 2022, uma equipa de investigadores explorou perto de 1.700 quilómetros quadrados do Parque Nacional de Lomami, para documentar os “Likweli”. Observá-los e fotografá-los não é tarefa fácil, reconhecem os cientistas, pois estes cólobos tendem a viver em pequenos grupos, de cerca de seis indivíduos, e preferem o topo do dossel florestal.

Os cientistas que participaram neste trabalho consideram que a descoberta do C. congoensis deixa clara a importância científica do Parque Nacional de Lomami, bem como das zonas adjacentes que servem como “tampão” entre o parque e as áreas humanas em redor. Aliás, essa região já tinha dado à Ciência uma outra nova espécie de macaco em 2021, o Cercopithecus lomamiensis.

“Continuamos a ser recordados de que a Bacia do Congo permanece uma das últimas grandes fronteiras do mundo para a descoberta de mamíferos”, diz John A. Hart, da Lukuru Wildlife Research Foundation e primeiro auto do artigo.

“Mesmo em regiões que têm sido exploradas cientificamente continuam a aparecer espécies inteiramente novas. Esta descoberta salienta quanta biodiversidade permanece por documentar na Bacia do Congo central e como esta região continua a moldar o que sabemos sobre a evolução e conservação dos primatas”, acrescenta.

Apesar de novo para a Ciência, o cólobo C. congoensis poderá estar já preocupantemente ameaçado de extinção. Por ter uma área de distribuição bastante limitada, uma população pouco numerosa, por estar a ser cada vez mais pressionada pela caça e pela perda de habitat, esta espécie deverá entrar na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza com o estatuto de “Em perigo”, defendem os autores do estudo.

“A descoberta do Colobus congoensis é tanto um triunfo científico como um lembrete doloroso de que algumas das criaturas mais raras da Terra podem desaparecer sem que antes do mundo saiba que elas existem”, declara Kate M. Detwiler, principal coautora do artigo e professora na Florida Atlantic University.

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