O lixo espacial – fragmentos deixados por satélites e foguetões – regressa à Terra mais depressa quando o Sol está mais ativo, segundo um novo estudo internacional divulgado pela Frontiers.
A investigação mostra, pela primeira vez, que a atividade solar pode prever a velocidade a que detritos em órbita perdem altitude. O fenómeno está ligado ao chamado ciclo solar, que dura cerca de 11 anos e alterna entre fases de maior e menor intensidade.
Durante os períodos mais ativos, o aumento da radiação e das partículas emitidas pelo Sol aquece e expande a termosfera terrestre, a camada superior da atmosfera. Esse processo aumenta a densidade do ar a grandes altitudes, criando mais resistência (“arrasto”) sobre objetos em órbita.
Como resultado, tanto lixo espacial como satélites desaceleram e começam a descer mais rapidamente em direção à Terra.
Os investigadores, liderados por Ayisha M Ashruf, analisaram durante 36 anos as trajetórias de 17 objetos em órbita baixa (entre 600 e 800 quilómetros de altitude), alguns lançados ainda na década de 1960.
Os dados revelam que a queda se acelera de forma significativa quando a atividade solar atinge cerca de 67% do seu pico máximo, um limiar a partir do qual o efeito do arrasto atmosférico se intensifica.
Segundo a equipa, esta descoberta poderá ajudar a melhorar o planeamento de missões espaciais, nomeadamente no cálculo de trajetórias e na prevenção de colisões em órbita, um risco crescente devido à acumulação de detritos.
Atualmente, a órbita baixa da Terra, situada entre 400 e 2000 quilómetros de altitude, é amplamente utilizada por satélites de observação e redes como a Starlink, mas está também cada vez mais congestionada.
Os cientistas sublinham que compreender melhor a influência da atividade solar é essencial para garantir operações espaciais mais seguras e sustentáveis, incluindo o tempo de vida dos satélites e o combustível necessário para manter a sua órbita.









