Lobo-da-Tasmânia caçava mais como uma raposa do que como um tigre

A investigação, publicada na revista científica BMC Ecology and Evolution, analisou a biomecânica de 48 espécies de mamíferos predadores, entre espécies atualmente existentes e outras já extintas.

Redação

O lobo-da-Tasmânia, ou tilacino, utilizava uma estratégia de caça mais semelhante à de uma raposa, chacal ou coiote do que à de um tigre ou lobo, concluiu um estudo internacional liderado pela University of the Sunshine Coast, na Austrália.

A investigação, publicada na revista científica BMC Ecology and Evolution, analisou a biomecânica de 48 espécies de mamíferos predadores, entre espécies atualmente existentes e outras já extintas. Entre os animais estudados esteve o lobo-da-Tasmânia (Thylacinus cynocephalus), marsupial carnívoro que apresentava o aspeto de um cão de pelagem listada e que se alimentava de animais como wallabies, gambás e roedores. A espécie tornou-se globalmente extinta na década de 1930, na Tasmânia.

“Utilizámos imagens de arquivo e análises biomecânicas modernas para analisar de que forma a postura, o movimento e a locomoção influenciavam os estilos de caça dos animais”, explica Christofer Clemente, professor associado da University of the Sunshine Coast.

A equipa agrupou os animais em cinco grupos, que vão desde predadores que perseguem as presas em grupo até espécies que as agarram ou atacam de surpresa.

“Foi fascinante descobrir que o lobo-da-Tasmânia era mais provavelmente um predador oportunista que atacava de surpresa, semelhante a uma raposa, chacal ou coiote, do que um predador que agarrava as suas presas, como um tigre ou um lobo”, acrescenta o investigador.

Para chegar a estas conclusões, os investigadores recorreram a uma metodologia que permitiu acompanhar os movimentos dos animais ao longo do tempo e do espaço.

“O que tornou esta técnica tão poderosa foi o facto de conseguirmos acompanhar o movimento dos animais em quatro dimensões, através do espaço e do tempo”, explica Joshua Gaschk, investigador e autor principal do estudo.

Segundo o investigador, a abordagem permitiu analisar de forma detalhada os movimentos de diferentes partes do corpo durante a locomoção.

“Conseguimos acompanhar a forma como os membros anteriores, os membros posteriores, a coluna e a cabeça de um indivíduo mudam de forma e de postura ao longo da locomoção natural”, afirma.

Os investigadores utilizaram depois estes dados para comparar espécies carnívoras de diferentes regiões do mundo e perceber se os padrões de locomoção estavam relacionados com as estratégias de caça.

Os resultados mostraram que a ecologia da caça se refletia na forma como os predadores se movimentavam, sobretudo durante os movimentos mais rápidos e exigentes, associados à aceleração, às manobras e à captura das presas.

“A investigação mostrou que a ecologia da caça estava refletida na forma como os predadores se movimentavam, particularmente durante os movimentos mais rápidos e de elevado desempenho associados à aceleração, às manobras e à captura das presas”, afirma Clemente.

Os padrões de marcha mais lentos estavam mais relacionados com a história evolutiva dos animais, embora também conservassem informação sobre o comportamento de caça.

No caso do lobo-da-Tasmânia, os movimentos observados foram consistentemente associados aos predadores oportunistas de ataque rápido, que utilizam breves explosões de movimento para aproveitar as oportunidades de captura.

“O movimento do lobo-da-Tasmânia durante a marcha esteve mais consistentemente associado aos predadores oportunistas que atacam de surpresa — predadores que utilizam breves explosões de movimento e aproveitam as presas disponíveis — do que aos predadores altamente especializados em perseguição ou aos que agarram as suas presas”, conclui Clemente.

Para os investigadores, a metodologia utilizada para reconstruir o comportamento de espécies extintas poderá também ter aplicações na conservação.

O estudo foi desenvolvido por investigadores da University of the Sunshine Coast, Yale University e University of Tasmania e publicado na revista científica BMC Ecology and Evolution.

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