Maiores bancos do mundo sobem financiamento a combustíveis fósseis em 2025. São já quase 9 biliões desde o Acordo de Paris

Os dados são revelados na 17.ª edição do relatório “Banking on Climate Chaos”, encabeçado pela organização não-governamental Rainforest Action Network (RAN). A análise avança que, desde que o Acordo Climático de Paris foi adotado em 2015, esse mesmo grupo de bancos direcionou 8,7 biliões de dólares para empresas e projetos de petróleo, gás e carvão.

Filipe Pimentel Rações

No ano passado, as 65 maiores instituições bancárias do mundo financiaram empresas de combustíveis fósseis em 906 mil milhões de dólares, um aumento de 8% face a 2024.

Os dados são revelados na 17.ª edição do relatório “Banking on Climate Chaos”, encabeçado pela organização não-governamental Rainforest Action Network (RAN). A análise avança que, desde que o Acordo Climático de Paris foi adotado em 2015, esse mesmo grupo de bancos direcionou 8,7 biliões de dólares para empresas e projetos de petróleo, gás e carvão.

Segundo o relatório, em 2025 o JPMorgan Chase manteve-se no topo da lista como o principal financiador dos combustíveis fósseis, disponibilizando 58 mil milhões de dólares a empresas do setor, mais 12,6% do que em 2024. O Bank of America surge na segunda posição e o japonês Mitsubishi UFJ Financial Group na terceira, ambos com 47 mil milhões de dólares cada um.

Os 12 bancos que mais financiam os combustíveis fósseis a nível mundial representam já quase 40% de todo o financiamento bancário que é concedido a empresas desse setor, de um total de cerca de 2.000 bancos de todo o mundo analisados neste relatório.

O financiamento para empresas que estão ativamente a aumentar a sua exploração de combustíveis fósseis disparou 27% em 2025, para os 508 mil milhões de dólares. Dizem as organizações envolvidas neste trabalho que financiar o aumento da exploração de combustíveis fósseis é incompatível com o objetivo de limitar o aquecimento global aos 1,5 graus Celsius, tal como estipulado no Acordo de Paris.

Os bancos norte-americanos são a principal fonte de financiamento dos combustíveis fósseis a nível global, aumentando a sua representatividade de 28% em 2021 para 32% em 2025.

Em sentido contrário, os bancos europeus mostram uma tendência de decréscimo do financiamento dos combustíveis fósseis: de 28% no BNP Paribas, de 36% no UBS e de 34% na La Caixa. Contudo, nem todas as instituições bancárias estão a reduzir o dinheiro que concedem a empresas de combustíveis fósseis, como é o caso do Standard Chartered, com um aumento de 28% em 2025, do Deutsche Bank, com uma subida de 20% no financiamento, e do HSBC com aumento de 16%.

O relatório lembra o colapso da aliança bancária global que tinha como objetivo alinhar os financiamentos com os objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa, incluindo o fim do financiamento dos combustíveis fósseis. Criada em abril de 2021, a aliança, que se sustentava em compromissos voluntários, acabou por vir a ser dissolvida em outubro de 2025, depois de vários bancos recuarem nas suas políticas e compromissos climáticos, algo que, segundo a interpretação dominante, em muito se deveu à postura anti-clima do governo dos Estados Unidos da América e ao facto de os bancos querem evitar perder o apoio e ser alvo de represálias por parte de políticos norte-americanos mais conservadores.

“Uma década após o Acordo de Paris, apenas 12 bancos são hoje responsáveis por mais de um terço do financiamento mundial dos combustíveis fósseis, prova de que isto já não é um problema de mercados, mas sim de um pequeno grupo de decisores que tomam escolhas deliberadas”, critica Niko Lusiani, diretor de pesquisa na RAN e coautor do relatório.

Para o responsável, esses bancos “estão a optar por consolidar um sistema energético que proporcionar lucros recorde a um punhado de empresas do setor dos combustíveis fósseis, enquanto transfere os custos para três em cada quatro pessoas no mundo que dependem de combustível importado”. “A boa notícia é que o que um punhado de bancos construiu os governos e as pessoas em todo o mundo têm o poder de mudar”, acrescenta.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.