Mais de 13% dos lagartos e serpentes da Austrália estão ameaçados de extinção

A conclusão surge de uma nova revisão publicada na revista Pacific Conservation Biology, liderada por investigadores da Monash University e que reúne especialistas em répteis de várias regiões da Austrália. O trabalho avaliou a evolução do estado de conservação destes animais desde o plano nacional de ação publicado em 2017.

Redação

Cerca de 127 espécies de lagartos e serpentes terrestres da Austrália poderão estar ameaçadas de extinção, o equivalente a mais de 13% da diversidade de répteis terrestres do país. O número é quase o dobro das estimativas anteriores e revela um cenário de conservação mais preocupante do que o conhecido até agora.

A conclusão surge de uma nova revisão publicada na revista Pacific Conservation Biology, liderada por investigadores da Monash University e que reúne especialistas em répteis de várias regiões da Austrália. O trabalho avaliou a evolução do estado de conservação destes animais desde o plano nacional de ação publicado em 2017.

Segundo os investigadores, o agravamento das ameaças, a monitorização insuficiente e a falta de medidas de conservação adequadas estão a colocar em risco uma parte significativa da fauna reptiliana australiana.

Uma das principais preocupações é precisamente a falta de informação. As espécies classificadas como “dados insuficientes” têm uma probabilidade 5,4 vezes superior de estarem ameaçadas do que aquelas sobre as quais existe informação suficiente. Entre as espécies que ainda não foram formalmente avaliadas, o risco é três vezes superior.

“A Austrália alberga cerca de 10% da diversidade mundial de lagartos e serpentes, mas estes continuam a ser um dos grupos de vertebrados menos compreendidos e menos monitorizados”, afirma o professor David Chapple, da School of Biological Sciences da Monash University e primeiro autor do estudo.

“Sem conservação coordenada, monitorização continuada e um maior investimento na investigação, corremos o risco de perder espécies antes de as compreendermos plenamente”, acrescenta.

Ameaças cada vez mais complexas

A revisão identifica um conjunto crescente de fatores que estão a contribuir para o declínio das populações de répteis, incluindo as alterações climáticas, incêndios florestais cada vez mais severos, destruição de habitats, predadores introduzidos, como gatos e raposas, plantas invasoras, doenças e outras ameaças ambientais emergentes.

Os investigadores apresentam 11 recomendações para reforçar a conservação destes animais a nível nacional, defendendo, entre outras medidas, melhores planos de recuperação, avaliações mais rápidas do estado de conservação e um reforço da monitorização.

“O ameaças que afetam os répteis da Austrália estão a tornar-se mais complexas e intensas. Esta revisão fornece um roteiro baseado em evidência para indicar onde os governos, investigadores e responsáveis pela conservação devem concentrar os seus esforços se quisermos evitar novos declínios”, afirma Jules Farquhar, investigador da Monash University e autor sénior do estudo.

Desde a avaliação nacional anterior, em 2017, o número conhecido de espécies de lagartos e serpentes terrestres australianos aumentou quase 12%, resultado da descoberta e descrição de novas espécies.

Contudo, os investigadores alertam que estas novas espécies são frequentemente pouco conhecidas e podem enfrentar riscos elevados, uma vez que tendem a apresentar distribuições geográficas reduzidas e permanecem sem uma avaliação clara do seu estado de conservação.

Os autores defendem que acelerar as avaliações, reforçar a investigação taxonómica, melhorar os planos de recuperação e aumentar a monitorização serão medidas essenciais para proteger a diversidade de répteis da Austrália, considerada uma das mais relevantes do mundo.

A realização regular de avaliações nacionais deverá também permitir acompanhar a evolução das ameaças e identificar mais cedo as espécies que necessitam de medidas de conservação.

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