O conflito aberto que estalou no Médio Oriente no passado mês de fevereiro está a lançar ondas de choque por todo o mundo, fazendo disparar os preços dos combustíveis fósseis. À boleia da crise, as petrolíferas podem arrecadar avultados lucros inesperados.
De acordo com uma análise da organização Transport & Environment (T&E), as grandes petrolíferas podem conseguir cerca de 24 mil milhões de euros em lucros inesperados (também conhecidos como “windfall”) dos condutores na União Europeia até ao final do ano.
Até ao momento, as empresas de combustíveis fósseis conseguiram já lucros inesperados de 1,3 mil milhões de euros, avança o mesmo estudo.
A T&E apela aos líderes europeus que implementem um regime fiscal – à semelhança do que aconteceu em 2022 com os choques energéticos causados pela invasão russa da Ucrânia – sobre o que descrevem como “lucros excessivos” das petrolíferas e que usem os fundos daí resultantes para fazer com que os cidadãos do bloco se tornem menos vulneráveis a futuros choques petrolíferos.
“Uma vez mais, a dor dos condutores é o ganho das empresas de petróleo”, acusa Daniel Quiggin, consultor sénior de políticas da T&E.
As petrolíferas, argumenta o especialista, “têm todas as razões para manterem os europeus dependentes dos combustíveis fósseis, uma vez que são elas quem beneficiam dos picos dos preços”. Assim, “a UE deveria reinstituir o seu imposto sobre lucros excessivos e investir as receitas na eletrificação e nas energias renováveis, que acabarão por quebrar esse ciclo”, sustenta.
Estimativas da T&E apontam que a 23 de março os preços médios nas bombas da União Europeia eram de 2,06 euros por litro de gasóleo e 1,89 euros por litro de gasolina, correspondendo a aumentos de 0,49 euros e de 0,27 euros, respetivamente, comparando com o período antes do conflito.
“Encher um depósito de 55 litros com gasóleo custa agora quase 27 euros mais do que custava antes do conflito começar, e 15 euros mais para um carro a gasolina”, calcula a organização.










