Na imensidão verde do nordeste da Austrália, algo extraordinário foi descoberto. Usando tecnologia de ponta, uma equipa de cientistas conseguiu mapear mais de 180 milhões de árvores numa região florestal com mais de 3 milhões de hectares, e encontrou algumas das árvores mais altas já registadas no país — entre elas, um imponente eucalipto com 81 metros de altura, equivalente a um prédio de 26 andares.
A investigação decorre na região de Northern Rivers, em Nova Gales do Sul, e está a dar-nos uma nova forma de olhar para as florestas — não como uma mancha verde no mapa, mas como milhões de vidas vegetais, cada uma com a sua altura, forma e história.
Tecnologia ao serviço da natureza
Esta descoberta só foi possível graças a uma tecnologia chamada LiDAR, um sistema que usa raios laser disparados a partir de aviões para criar modelos tridimensionais do terreno. Combinado com análises poderosas por computador, permitiu aos investigadores observar as florestas ao detalhe — árvore a árvore — algo que até agora era impensável numa área tão vasta.
À frente da investigação está Patrick Norman, da Universidade de Griffith, que lidera este projeto integrado no Programa Nacional de Ciência Ambiental da Austrália. Para ele, os resultados são impressionantes:
“Conseguimos ver a floresta como nunca antes. Cada árvore, a sua altura, a sua localização. Identificámos verdadeiros colossos verdes e também zonas de floresta antiga que ainda resistem, o que é crucial para a conservação da biodiversidade.”
Entre os destaques, para além do eucalipto gigante, está um pinheiro-de-hoop com 77 metros — árvores que cresceram ao longo de décadas, até séculos, e que se tornaram verdadeiros monumentos vivos.
Mais do que números: o futuro das florestas
Mas este trabalho não serve apenas para contar árvores altas. Ao cruzar dados sobre a altura das árvores com os diferentes tipos de vegetação e uso do solo, a equipa conseguiu perceber melhor como o clima e a intervenção humana moldam as florestas.
“Estamos a criar ferramentas que ajudam a proteger estas paisagens”, explica Norman. “Este conhecimento pode apoiar decisões importantes sobre conservação, reflorestação e gestão sustentável.”
E não é por acaso que este projeto está a ser feito agora. A região de Northern Rivers tem vivido anos difíceis. Em apenas três anos, sofreu uma seca histórica, incêndios devastadores e, logo a seguir, inundações intensas. É um exemplo claro de como as alterações climáticas estão a acelerar e a transformar os ecossistemas.
Por isso, este mapeamento faz parte de um plano mais alargado para ajudar regiões como esta — e também os Trópicos Húmidos de Queensland — a adaptarem-se às mudanças climáticas, protegendo espécies ameaçadas, ecossistemas frágeis e as comunidades que deles dependem.
Árvores que contam histórias
As florestas são muitas vezes vistas como pano de fundo. Mas esta investigação lembra-nos que, dentro delas, há milhões de vidas — algumas com centenas de anos — que ajudam a regular o clima, purificar o ar, proteger os solos e dar abrigo a inúmeras espécies.
Agora, com a ajuda da tecnologia, conseguimos finalmente ver estas árvores com os olhos certos. E talvez, com essa nova visão, também consigamos protegê-las melhor.









