Os machos das moscas-das-flores possuem olhos maiores do que as fêmeas, uma característica que lhes dá vantagens visuais decisivas durante perseguições aéreas rápidas para encontrar parceiras. A conclusão surge num novo estudo liderado pela Flinders University, que investigou as impressionantes capacidades de voo destes insetos polinizadores.
A investigação analisou as diferenças de velocidade de voo entre machos e fêmeas e concluiu que os machos conseguem voar mais depressa durante interações territoriais e de acasalamento, graças a sistemas visuais mais avançados e a respostas neuronais especializadas.
“Sabemos que os machos voam muito mais rápido do que as fêmeas durante o cortejo e encontros territoriais, mas que reduzem a velocidade quando procuram flores para se alimentarem”, explicou a professora de Neurociência Karin Nordström, coautora sénior do estudo publicado na revista científica eLife.
Os investigadores descobriram que os neurónios responsáveis por detetar o fluxo ótico — o movimento visual percebido durante o voo — apresentam diferenças entre os sexos. Segundo a equipa, estas alterações influenciam diretamente o controlo do batimento das asas e a agilidade em voo.
Apesar disso, os testes realizados com moscas suspensas em laboratório não encontraram diferenças significativas na amplitude do bater das asas perante estímulos semelhantes.
As moscas-das-flores são consideradas os segundos polinizadores mais importantes para plantas e flores, logo após as abelhas. A sua capacidade de navegar e localizar flores depende fortemente do sistema visual.
A investigadora Sarah Nicholson afirma que as diferenças observadas nos neurónios sensíveis ao fluxo ótico correspondem ao maior tamanho dos olhos dos machos.
“Além disso, o corpo mais pequeno dos machos em comparação com as fêmeas dá-lhes vantagem em aceleração e respostas de voo mais ágeis”, explicou.
O coautor sénior Yuri Ogawa sublinha que o estudo poderá ter aplicações além da biologia.
“Estamos a aprender muito sobre a forma como estes sistemas visuais e motores complexos funcionam, tanto ao nível neuronal como comportamental. Estes conhecimentos poderão beneficiar áreas como a engenharia e até a aviação humana”, afirmou.









