Os mosquitos que habitam zonas residenciais mais abastadas têm maior probabilidade de desenvolver resistência aos pesticidas utilizados para o seu controlo, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.
A investigação, conduzida por cientistas que estudaram o mosquito-tigre asiático (Aedes albopictus) na cidade de Raleigh, no estado da Carolina do Norte, identificou uma ligação direta entre o valor dos imóveis de um bairro e o grau de resistência dos insetos a inseticidas amplamente utilizados.
Para chegar a esta conclusão, os investigadores recolheram amostras de mosquitos em 31 áreas residenciais diferentes. A análise revelou que os exemplares mais resistentes aos produtos químicos de combate a insetos eram encontrados precisamente nos bairros com os valores imobiliários mais elevados.
Segundo os autores, a explicação mais provável está na utilização mais frequente de pesticidas por parte dos residentes destas zonas. Proprietários com maior poder económico recorrem com mais regularidade a pulverizações domésticas ou a serviços profissionais de controlo de pragas, expondo os mosquitos a níveis constantes de inseticidas.
Essa pressão seletiva favorece a sobrevivência dos indivíduos mais resistentes, que acabam por transmitir essas características às gerações seguintes, acelerando um processo de evolução adaptativa.
Os investigadores alertam que esta resistência crescente pode dificultar o combate a espécies invasoras como o mosquito-tigre, conhecido por transmitir doenças como a dengue, a febre chikungunya e o vírus Zika em várias regiões do mundo.
O estudo destaca ainda uma ligação pouco explorada entre fatores socioeconómicos e riscos para a saúde pública. De acordo com os autores, compreender de que forma os hábitos de utilização de pesticidas influenciam a evolução dos mosquitos poderá ajudar a desenvolver estratégias de controlo mais eficazes e coordenadas.
Os cientistas defendem que uma gestão integrada das pragas, envolvendo comunidades inteiras e reduzindo a dependência excessiva de produtos químicos, poderá contribuir para travar o avanço da resistência aos inseticidas e limitar a propagação de doenças transmitidas por mosquitos.









