Motores “lean-burn” mais modernos em aviões comerciais reduzem a quantidade de fuligem produzida durante o voo, mas investigadores internacionais alertam que essa redução provavelmente não diminui o efeito de aquecimento das nuvens de esteiras de condensação.
Os efeitos climáticos destas nuvens de esteira são quase equivalentes aos das emissões de dióxido de carbono (CO₂). Para estudar o fenómeno, a equipa analisou as emissões de aviões em modo de combustão lean-burn (baixa produção de fuligem) e rich-burn (alta produção de fuligem), usando diferentes tipos de combustível. Apesar de os motores lean-burn emitirem mil vezes menos partículas de fuligem, não se verificou uma diminuição significativa na formação das esteiras.
As esteiras de condensação formam-se quando as partículas do escape do motor se misturam com o vapor de água e congelam, criando uma camada de cristais de gelo que pode reter o calor que irradia da Terra. Os investigadores observaram que os únicos combustíveis que reduziram a formação de esteiras foram os de baixo teor de enxofre. No entanto, esses combustíveis também libertam outros vapores e óleos de lubrificação que contribuem para a formação das nuvens de condensação.
Christiane Voigt e colegas, que publicaram o estudo na revista Nature, concluem que mais investigação é necessária para compreender melhor como reduzir a formação de gelo nas esteiras e, consequentemente, os impactos climáticos da aviação. Os resultados indicam, porém, que mudanças na composição do combustível e nos modos de combustão do motor são fundamentais para minimizar o aquecimento provocado pelos voos.









