Muitos anfíbios e répteis europeus de hoje surgiram há 16 milhões de anos, revela estudo

Para Vicente D. Crespo, investigador português que participou neste trabalho, o objetivo era “ajudar a preencher um dos maiores vazios de conhecimento sobre a evolução dos anfíbios e répteis na Península Ibérica, sendo mais um passo na reconstrução dos ecossistemas do Miocénico Ibérico”.

Redação

Um estudo publicado recentemente na revista ‘Fossil Record’, que contou com a participação de um investigador português, revela a evolução dos anfíbios e répteis da Península Ibérica há 16 milhões de anos.

Vicente D. Crespo, investigador de paleontologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT) e do Museu da Lourinhã, é o principal coautor, e Rafael Marquina Blasco, da Universidade de Valencia, é o primeiro autor.

O estudo apresenta o que a NOVA FCT diz ser “a análise mais abrangente realizada até ao momento sobre os répteis e anfíbios [grupo também conhecido como herpetofauna] da época geológica Miocénico Inferior na região de Ribesalbes-Alcora, em Espanha”.

Para Vicente D. Crespo, este trabalho pretende “ajudar a preencher um dos maiores vazios de conhecimento sobre a evolução dos anfíbios e répteis na Península Ibérica, sendo mais um passo na reconstrução dos ecossistemas do Miocénico Ibérico, integrando agora estas espécies com os numerosos estudos anteriormente desenvolvidos sobre mamíferos fósseis da Bacia de Ribesalbes-Alcora”.

A investigação tem por base a análise de 4.690 restos fósseis recolhidos em 42 jazidas, que permitiram reconstruir os ecossistemas que existiam há cerca de 16 milhões de anos, fornecendo novas pistas sobre a origem das atuais comunidades europeias de répteis e anfíbios.

Foram identificados 21 táxones de anfíbios e répteis, incluindo salamandras, sapos, crocodilos, tartarugas, lagartos e serpentes. Os resultados mostram que muitas das linhagens que atualmente fazem parte da fauna europeia já estavam estabelecidas durante o Miocénico Inferior, “um período crucial para a formação dos ecossistemas modernos”, explica a instituição.

Considerado um dos resultados mais relevantes desta investigação é a possível identificação do género Pyrenasaurus, anteriormente conhecido apenas em depósitos do Eocénico. Caso esta identificação seja confirmada, explicam os investigadores, o registo prolongará significativamente a história evolutiva deste grupo, sugerindo uma maior estabilidade ecológica em determinadas regiões da Península Ibérica do que se pensava anteriormente.

Os autores do trabalho utilizaram métodos paleoecológicos baseados na ecologia dos anfíbios e répteis para estimar as condições climáticas da época. As análises indicam que a região onde hoje se situa o leste de Espanha era, em muitos períodos, muito mais húmida do que é hoje, com níveis de precipitação geralmente superiores aos atuais, alternando entre fases mais húmidas e períodos relativamente mais secos. Essa constatação está em linha com estudos anteriores realizados sobre os mamíferos fósseis da mesma bacia.

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