França conquistou o mundial de futebol de 2018 com uma equipa rica em diversidade étnica, constituída por jogadores imigrantes e filhos de imigrantes. E é extremamente positivo ver uma equipa tão diversa, especialmente nesta era em que sobe de tom a retórica sobre os perigos da imigração e em que vemos tantos países a tomar medidas desumanas para com pessoas que fogem de situações de guerra ou procuram uma vida melhor.

Esta vitória é, como diz a CNN, uma lição otimista sobre a imigração, sobre a cidadania mundial. E apesar do orgulho que certamente os Franceses sentem neste momento pelo facto de serem campões, agora que acabou o mundial é imperativo não nos esquecermos que muitos daqueles jogadores irão sofrer discriminações no seu dia-a-dia pelo facto de não serem caucasianos.

Entre imigrantes e filhos de imigrantes, a equipa francesa tem mais de uma dezena de nacionalidades. Hugo Lloris, capitão da seleção, é de origem Catalã mas nasceu em Nice, e a sua equipa conta ainda com descendentes de Marrocos, ilha de Guadalupe, Haiti, República Democrática do Congo, Mauritânia, Argélia, Angola, Itália, Mali, Filipinas, Senegal, Camarões, Guiné, Togo e Martinica. Imigrantes, há ainda dois: Samuel Umtiti, dos Camarões, e Steve Mandanda, da República Democrática do Congo. França não seria campeã se não fossem os imigrantes. Portanto, como conciliar este facto com as notícias de que todos os dias barramos a entrada de pessoas vindas de África e do Médio Oriente? O que torna estas pessoas mais importantes relativamente às outros que Itália, por exemplo, não quer?

Esta celebração dos atletas deve ser estendida a todas as pessoas, todos os dias. O Mundial De Futebol e respetiva mescla de etnias e nacionalidades é uma oportunidade para não esquecermos que partilhamos um pequeno planeta, que as questões da imigração e dos refugiados são questões de direitos humanos. Os imigrantes são, em primeiro lugar, pessoas. E a Declaração Universal dos Direitos Humanosdeve ser um farol sobre a forma como tratamos pessoas: a dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.