No ano passado, a produção de eletricidade a partir do carvão caiu 0,6% a nível global. No entanto, a capacidade para fazê-lo seguiu no sentido inverso, com um aumento de 3,5%.
Os números são apresentados num relatório divulgado esta semana pela organização Global Energy Monitor, que aponta para uma divergência entre o nível de consumo de carvão e o número de centrais de eletroprodução que o usam.
A análise indica que essa disparidade é mais pronunciada na China e na Índia, onde a nova capacidade instalada de produção de energia solar e eólica em 2025 respondia a quase toda a procura, ultrapassando o carvão, mas a quantidade de novas centrais elétricas que usam esse combustível fóssil atingiu máximos da última década.
Essas duas potências asiáticas representaram cerca de 95% da construção de novas centrais a carvão a nível mundial.
Os autores dizem que esse cenário mostra que a transição energética para lá dos combustíveis fósseis é mais duradoura e resistente do que perturbações pontuais e de curta-prazo nos mercados energéticos, como as causadas pelo conflito no Médio Oriente e respetivos efeitos no transporte de combustíveis pelo Estreito de Ormuz.
Além disso, são cada vez menos os países que estão a propor ou a construir novas centrais elétricas a carvão: 32 em 2025, abaixo dos 38 do ano anterior e menos de metade dos 75 de 2014.
No ano passado, não se registaram novas centrais – planeadas ou em construção – na América Latina e a Coreia do Sul comprometeu-se com o abandono progressivo do carvão como fonte de produção elétrica, aponta o relatório da Global Energy Monitor.
A crise energética de 2022, provocada pela invasão russa da Ucrânia, e alterações políticas nos Estados Unidos da América que arrepiaram caminho em matérias de proteção ambiental e ação climática, fizeram com que quase 70% das centrais eletroprodutoras a carvão que deveriam ter sido desativadas em 2025 continuassem a operar.
“Em 2025, o mundo construi mais centrais a carvão e usou-as menos”, resume Christine Shearer, gestora de projetos da Global Energy Monitor.
“O principal desafio para 2026 não é a disponibilidade de alternativas, mas a persistência de políticas que tratam o carvão como necessário, mesmo quando os sistemas energéticos estão a afastar-se cada vez mais dele”, declara.









