“Mutilado”: Ativistas da Greenpeace instalam obra de arte em plataforma da Shell no Mar do Norte (vídeo)

Um grupo de ativistas da organização ambientalista internacional Greenpeace instalou hoje uma obra de arte do artista britânico Anish Kapoor numa plataforma de gás da empresa Shell localizada no Mar do Norte.

Redação

Um grupo de ativistas da organização ambientalista internacional Greenpeace instalou hoje uma obra de arte do artista britânico Anish Kapoor numa plataforma de gás da empresa Shell localizada no Mar do Norte.

Numa publicação na rede social Facebook, a Greenpeace diz que a peça, intitulada “Mutilado” (“Butchered” no inglês original) e com 12 metros por oito, simboliza “os danos que gigantes petrolíferas como a Shell estão a infligir sobre as pessoas e o planeta”.

“As grandes petrolíferas estão a provocar ondas de calor mortíferas, secas, cheias e fogos florestais por todo o mundo. Só a Shell já causou, pelo menos, 1,42 biliões de dólares em danos climáticos, e está ainda a planear 700 novos locais de exploração de petróleo e gás”, escreve a organização.

Esta é a primeira vez que uma obra de arte é instalada numa plataforma offshore de gás ainda em funcionamento.

De acordo com as informações divulgadas, a tela foi instalada em branco, sendo que um dos ativistas usou uma mangueira de alta pressão para, a partir do topo e a 16 metros da superfície do mar, bombeou mil litros de um líquido vermelho que se espalhou pela tela branca, criando uma grande mancha cor de sangue.

A imagem pretende evocar a ferida feita no planeta e na humanidade pela indústria dos combustíveis fósseis. Além disso, serve também para apelar aos governos mundiais para exigirem aos poluidores que paguem pelos danos que cometem.

Diz a Greenpeace que o “sangue” usado é feito de água do mar misturada com beterraba em pó, café orgânico granulado e tinta biodegradável e à base de alimentos. “A combinação não é tóxica e é biodegradável e dissipará rapidamente,” assegura.

“Eu queria fazer algo visual, físico e visceral para refletir o massacre que elas [empresas petrolíferas] estão a infligir no nosso planeta: um grito visual que dá voz aos custos calamitosos da crise climática, muitas vezes sobre as comunidades marginalizadas por todo o mundo”, diz, citado em comunicado, o artista Anish Kapoor.

E acrescenta que a obra é também “um tributo ao trabalho heroico feito em oposição a esta destruição e aos ativistas incansáveis que escolhem perturbar, discordar e desobedecer”.

Até ao momento da publicação deste artigo não houve reação pública por parte da Shell.

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