“Não é pelo amor às baleias ou pássaros que queremos preservar ao planeta”

Um grupo de ex-ministros brasileiros do Meio Ambiente diz ser bem provável que o Rio+20 seja irrelevante e represente um retrocesso nas discussões sobre o desenvolvimento sustentável. Este grupo, cujo porta-voz é Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, divulgou uma carta que critica a própria actuação do Governo brasileiro no Rio+20.

“O Governo brasileiro não acredita na mudança climática. Mas não é pelo amor às baleias ou pássaros que queremos preservar o Planeta. [Temos] uma economia predatória, que gasta sem limites os recursos naturais, destrói as bases do que se entende por uma economia sustentável”, explicou Ricupero à Veja.

O responsável explicou ainda que duvida que outro membro do Governo brasileiro, para além da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tenha lido o relatório das Nações Unidas sobre as alterações climáticas.

Outra das signatárias do documento, a ex-candidata presidencial e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula da Silva, Marina Silva, explicou que o mais certo será voltarmos a um ponto anterior ao Rio92.

Uma última nota: o documento afirma que excepto no caso dos favorecimentos a aparelhos da linha branca em 2008, como frigoríficos, fogões e máquinas de lavar, que levaram a uma maior economia de energia, o Brasil praticamente ignorou a questão climática nos pacotes de estímulos adoptados desde então. “As políticas económicas e industriais devem ser coerentes com a transição para uma economia de baixo carbono”, defende o documento.

Apesar de tudo, parece que o Rio+92 está a receber o mesmo tipo de interesse por parte dos líderes brasileiros e portugueses, como pode relembrar neste artigo sobre o Rio+20 em Portugal.

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