Uma nova espécie de rã terrestre, do género Pristimantis, foi descoberta no lado equatoriano da Cordilheira do Condor, que forma a fronteira natural entre o Equador e o Peru, informou segunda-feira o Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio).
Investigadores do Inabio e de universidades como San Francisco de Quito, no Equador, e de Wollongong, na Austrália, descobriram a nova espécie durante expedições científicas na zona do Rio Branco, na província amazónica de Zamora Chinchipe, fronteiriça ao Peru.
Até agora a espécie apenas foi registada em duas localidades próximas na zona do Rio Branco, entre os 1.655 e os 1.830 metros acima do nível do mar, tendo os espécimes sido observados à noite em folhas de arbustos de florestas húmidas.
“A descoberta é corroborada por evidências morfológicas e genéticas que confirmam tratar-se de uma espécie até então desconhecida pela ciência”, acrescentou o instituto, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.
A nova espécie foi denominada Pristimantis etsa, sendo este um ser mitológico da cultura do povo indígena amazónico shuar, localizado no leste do Equador.
‘Etsa’ é “um ser associado ao Sol e à transmissão de conhecimentos essenciais para a vida” e a designação da nova rã “procura reconhecer a estreita relação entre a biodiversidade e o património cultural da região”, segundo o Inabio.
Entre as características únicas que a diferenciam dos seus parentes mais próximos, a nova rã possui pregas dorsolaterais formadas por pequenos tubérculos e uma mancha amarela marcante na região inguinal das fêmeas, bem como uma combinação de características anatómicas não observadas noutras espécies conhecidas do grupo.
As análises genéticas revelaram ainda que a Pristimantis etsa pertence ao grupo de espécies Pristimantis cryptomelas, mas constitui uma linhagem evolutiva independente, estreitamente relacionada com espécies que também habitam a Cordilheira do Condor, refere a EFE.
“Esta descoberta fornece novas evidências sobre o papel desta cordilheira como um importante centro de diversificação biológica nos Andes amazónicos”, assinalou o instituto equatoriano.
No seu estudo, os investigadores alertam que a espécie tem uma distribuição extremamente restrita e enfrenta ameaças significativas devido à mineração, à expansão agrícola e à fragmentação florestal, recomendando que seja considerada vulnerável, de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN indica o risco de extinção das várias espécies de animais e plantas.









