Nova espécie de serpente batizada em homenagem a Slash, baterista dos Guns N’ Roses

Vinte anos depois de o primeiro exemplar ter sido encontrado é que se percebeu que esta serpente encontrada nas florestas da Papua-Nova Guiné é, na verdade, uma espécie totalmente nova.

Redação

Em julho de 2006, nas florestas da província de Sanduan, na Papua-Nova Guiné, foi encontrada uma serpente que parecia diferente de todas as outras que tinham sido até então descritas. Duas décadas depois, confirmou-se que, realmente, se tratava de uma nova espécie.

O animal tinha sido descoberto pelo investigador Christopher Austin, da Universidade Estadual do Luisiana (Estados Unidos da América). O espécime foi encontrado a 208 metros acima do nível do mar, na aldeia de Utai, no norte do país, um macho adulto com cerca de 70 centímetros de comprimento, com o dorso de um castanho muito escuro e sem qualquer padrão, e com um ventre mais claro.

Em 2018, esses exemplares, com base apenas no seu aspeto físico, tinham sido classificados como membros da espécie Lielaphis parvus, mas testes genéticos vêm agora confirmar que, na verdade, trata-se de uma espécie distinta e inteiramente nova, a que os investigadores, num artigo publicado na revista ‘Zootaxa’, deram o nome de Lielaphis slashi.

“Foi combinação de características físicas, como diferenças no número de escamas quando comparando com outras espécies, e de evidências genéticas que nos levou a perceber que é uma espécie totalmente nova”, diz Tianqi Huang, investigador do Museu Field de História Natural e primeiro autor do estudo.

A nova espécie foi designada em homenagem a Slash, baterista da banda Guns N’ Roses. No artigo, os investigadores dizem que Saul Hudson (o verdadeiro nome do músico) é um apoiante de longa data de museus e zoos e um grande admirador de répteis.

“Ao longo de muitos anos, Slash tem promovido e defendido frequentemente as serpentes em vários meios de comunicação social”, explica a equipa. Além disso, uma das autoras, Sara Ruane, curadora de répteis do Museu Field, diz que muitos dos seus trabalhos científicos foram escritos ao som da música de Slash.

Sara Ruane, do Museu Field de História Natural, com Slash dos Guns N’ Roses. Foto: Sara Ruane.

Como observar serpentes na Natureza é “extremamente difícil”, ainda se sabe muito pouco sobre a vida da Lielaphis slashi, admite Ruane. Contudo, sabe-se que as espécies do género Lielaphis têm dentes grandes na parte posterior da boca, que usam para agarrar e comer presas pequenas e escorregadias, como lagartos, e também ovos de outros répteis.

Além disso, os investigadores apontam que, embora os Guns N’ Roses tenham sido apelidados de “a banda mais perigosa do mundo”, esta serpente não produz qualquer veneno que possa causar danos graves a uma pessoa.

Apesar de ainda se saber pouco sobre ela, a Lielaphis slashi, tal como outros animais que vivem nas florestas da Papua-Nova Guiné, estão sob a sombra ameaçadora da expansão humana nos seus habitats naturais.

Diz Ruane que indústrias como o cultivo de café e a exploração mineral estão a pôr em risco os habitats da recém-nomeada Lielaphis slashi.

“É por isso, em parte, que é importante descrever as espécies que lá vivem. Todas as espécies devem ser identificadas para que possamos compreender melhor como funcionam os ecossistemas e como tudo se encaixa no ambiente. Não podemos conservar animais ou outros seres vivos que desconhecemos”, salienta a investigadora.

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