Investigadores australianos desenvolveram uma nova ferramenta capaz de rastrear a forma como microrganismos se propagam entre pessoas com um nível de detalhe sem precedentes, abrindo caminho a novas estratégias de prevenção de infeções e ao desenvolvimento de tratamentos baseados em bactérias associadas à saúde intestinal.
O estudo foi liderado por Gerry Tonkin-Hill, do Peter MacCallum Cancer Centre, em colaboração com o Wellcome Sanger Institute e a University of Oslo, e publicado na revista científica Nature Microbiology.
A nova ferramenta, designada TRACS, permite distinguir entre estirpes muito semelhantes da mesma espécie de microrganismos — uma tarefa que até agora era difícil, mas essencial para compreender como estes se transmitem entre indivíduos.
“Tradicionalmente, tem sido muito difícil fazer esta distinção, apesar de ser crucial, já que uma pessoa pode transportar várias versões ligeiramente diferentes do mesmo microrganismo”, explica Gerry Tonkin-Hill.
A equipa testou o TRACS com diferentes tipos de dados, incluindo vírus como o responsável pela COVID-19, bactérias associadas à pneumonia e parasitas responsáveis pela malária.
Entre os resultados, os investigadores destacam a análise da transmissão de microrganismos de mães para bebés. O estudo revelou que uma bactéria associada à saúde intestinal permanece nos bebés durante mais tempo do que se pensava anteriormente — um dado que métodos anteriores não tinham conseguido identificar.
Segundo os autores, esta nova capacidade de rastreamento poderá melhorar a prevenção de infeções, especialmente em populações vulneráveis, como doentes oncológicos, além de contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas no microbioma.
Os investigadores acreditam que o TRACS poderá ter um papel relevante na resposta a surtos, no controlo de infeções e na criação de ambientes de cuidados de saúde mais seguros.









