A NOVA Information Management School (NOVA IMS) e o Instituto Português da Qualidade (IPQ) desenvolveram o Barómetro da Qualidade, uma nova ferramenta destinada a medir e avaliar os diferentes fatores que influenciam o bem-estar e a qualidade de vida das populações. O projeto piloto foi implementado na Região Oeste, em parceria com a Oeste CIM, e servirá de base à expansão da iniciativa a todo o território nacional, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, o Barómetro da Qualidade nasce com o objetivo de disponibilizar uma visão integrada e baseada em evidência sobre as condições de vida, o desenvolvimento social, económico e ambiental e os principais desafios dos territórios. A ferramenta cruza indicadores técnicos com a perceção dos cidadãos em áreas como saúde, habitação, educação, segurança, ambiente, economia, mobilidade e coesão social, permitindo acompanhar o desenvolvimento sustentável dos territórios e apoiar a definição de políticas públicas mais informadas.
Mais do que produzir um conjunto de indicadores, o Barómetro foi concebido como um instrumento de diagnóstico, apoio à decisão e recomendação. A sua metodologia permite identificar os pontos fortes e as fragilidades de cada território, determinar as áreas prioritárias de intervenção e perceber quais as dimensões que mais contribuem para explicar o desempenho e a qualidade de vida em cada região.
Trata-se do primeiro instrumento em Portugal que, com base num modelo integrado, identifica e quantifica os impactos entre as diferentes dimensões analisadas. Esta abordagem permite compreender de que forma uma intervenção numa área pode repercutir-se noutras dimensões do território e simular os resultados potenciais da implementação de políticas públicas. Deste modo, os decisores podem comparar cenários e identificar as intervenções suscetíveis de produzir maior valor para as populações.
Desenvolvido a partir da combinação de dados estatísticos e informação recolhida junto dos cidadãos, o Barómetro permite analisar os resultados com diferentes níveis de detalhe e disponibiliza informação relevante para decisores públicos, empresas, investigadores e cidadãos. A ferramenta possibilita uma leitura transversal dos territórios, enquadrada por dimensões relacionadas com o bem-estar, o desenvolvimento sustentável e os princípios ESG — ambientais, sociais e de governança.
A Região Oeste foi escolhida para acolher o projeto piloto, permitindo testar a metodologia, validar os indicadores e demonstrar o potencial do Barómetro.
Os resultados evidenciam pontos fortes em áreas como a habitação, a coesão social e a participação cívica, mas também desafios em domínios como a saúde, a educação, a mobilidade e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Esta leitura integrada permite ultrapassar uma simples comparação de indicadores, orientando a definição de prioridades e de estratégias ajustadas às características específicas do território.
“O valor distintivo do Barómetro está na capacidade de passar da medição à explicação e da explicação à ação. Para além de mostrar como cada território se posiciona, o modelo permite identificar as dimensões que melhor explicam o seu desempenho, estimar os efeitos das intervenções e perceber em que áreas uma política pública poderá gerar maior valor. Assim, o Barómetro constitui uma verdadeira ferramenta de diagnóstico, simulação e recomendação para decisões mais eficazes e orientadas para as pessoas”, afirma Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e responsável pelo projeto.
A iniciativa pretende agora avançar para uma implementação progressiva à escala nacional, criando uma plataforma permanente de monitorização e apoio à decisão. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e atualizável sobre as dinâmicas sociais, económicas e ambientais das diferentes regiões do país, contribuindo para políticas públicas mais eficazes, transparentes e orientadas para o bem-estar das populações.








