Nova tecnologia de “caixas de larvas” promete acelerar a regeneração dos corais na Grande Barreira de Coral



Milhões de larvas de coral da Grande Barreira de Coral, na Austrália, ganharam uma nova oportunidade de regenerar recifes degradados graças a uma tecnologia inovadora desenvolvida pela agência nacional de ciência australiana, a CSIRO, em parceria com a Southern Cross University. As chamadas larval seedboxes — ou “caixas de larvas” — foram testadas com sucesso e poderão agora ser aplicadas em larga escala para apoiar a recuperação de um dos ecossistemas mais emblemáticos do planeta.

Os resultados do primeiro ensaio, realizado em 2024 na Ilha Lizard, revelaram que o número de novos corais fixados aumentou até 56 vezes em comparação com áreas não intervencionadas, abrangendo milhares de metros quadrados de recife. A tecnologia mostrou-se eficaz, simples e de baixo custo, e está agora a ser novamente testada nas Whitsundays, uma zona crucial para avaliar o desempenho da técnica em diferentes condições ambientais.

Segundo Christopher Doropoulos, investigador principal da CSIRO, o sistema funciona como uma espécie de berçário temporário. “As seedboxes permitem reter as larvas em áreas degradadas durante mais tempo, aumentando as hipóteses de sobrevivência e de fixação nos recifes”, explica. Após a reprodução anual dos corais, milhões de larvas são recolhidas e colocadas nestas estruturas, que são depois instaladas no mar. Quando as larvas estão prontas, libertam-se naturalmente, dispersando-se com as correntes e cobrindo áreas superiores a dois hectares de recife.

O professor Peter Harrison, da Southern Cross University, sublinha que o projeto é uma oportunidade única para avaliar o potencial da técnica em diferentes ambientes marinhos. “Estamos a aplicar as seedboxes em zonas que sofreram com tempestades extremas e branqueamento causado pelo aquecimento das águas. Estimamos libertar até 20 milhões de larvas em vários locais e vamos monitorizar os resultados durante os próximos 12 meses”, afirma.

Para Anna Marsden, diretora executiva da Great Barrier Reef Foundation, esta inovação representa “a próxima geração de soluções” para restaurar recifes em risco. “Estamos a construir novas formas de ajudar os ecossistemas de coral a adaptarem-se a um clima em mudança. Este ensaio é possível graças ao apoio da Qantas, que está a transformar ideias em impacto real”, destaca.






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