Um biossensor portátil desenvolvido por investigadores da Universidade de La Trobe, na Austrália, poderá vir a transformar a forma como é detetada a contaminação da água por PFAS — substâncias tóxicas conhecidas como “químicos eternos” devido à sua elevada persistência no ambiente.
O dispositivo permite identificar, no próprio local, a presença destas substâncias, dispensando o envio de amostras para laboratórios especializados, um processo habitualmente dispendioso e demorado. A tecnologia foi concebida para detetar substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS), um vasto grupo de mais de 15 mil compostos sintéticos utilizados, entre outros, em espumas de combate a incêndios, embalagens alimentares e tecidos impermeáveis.
Os PFAS não se degradam no ambiente e têm sido associados a vários problemas de saúde, incluindo cancro. O biossensor desenvolvido pela equipa australiana é capaz de identificar especificamente o PFOA, uma das substâncias mais reguladas deste grupo.
A investigação foi liderada por Henry Bellette, doutorando na Universidade de La Trobe, e por Saimon Moraes Silva, diretor do Centro de Investigação em Tecnologia de Sensores Biomédicos e Ambientais (BEST). Os resultados foram publicados na revista científica ACS Sensors.
Segundo Henry Bellette, os métodos atualmente utilizados para detetar PFAS limitam a frequência e os locais onde a qualidade da água pode ser monitorizada. “A maioria das análises depende de equipamento laboratorial caro e de técnicos especializados, o que dificulta a realização de testes regulares”, explica. “Este biossensor pode ser utilizado diretamente no local e fornece um resultado simples de ‘sim’ ou ‘não’, permitindo uma triagem rápida.”
A contaminação por PFAS foi identificada em várias regiões da Austrália, sobretudo em locais onde, durante décadas, foram utilizadas espumas de combate a incêndios, como aeroportos, bases militares e quartéis de bombeiros.
Para Saimon Moraes Silva, ferramentas portáteis de rastreio poderão desempenhar um papel essencial na gestão deste tipo de contaminação a longo prazo. “Como os PFAS não se degradam, a monitorização tem de ser contínua. Um dispositivo portátil permitiria realizar testes mais frequentes, sobretudo em zonas regionais e remotas, ajudando a sinalizar os locais onde é necessária uma análise laboratorial mais aprofundada.”
Os investigadores esperam que, numa fase futura, esta tecnologia possa ser integrada num equipamento portátil de mão, destinado à monitorização ambiental e ao controlo da qualidade da água, abrindo caminho a uma deteção mais rápida e acessível de poluentes altamente persistentes.









