Um novo método desenvolvido por investigadores da Griffith University permite detetar de forma rápida, portátil e de baixo custo os chamados “químicos eternos” em água, podendo transformar a monitorização ambiental destes poluentes.
A tecnologia incide sobre os PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas), um grupo com mais de 10 mil compostos sintéticos usados em produtos como espumas de combate a incêndios, tecidos impermeáveis e panelas antiaderentes. Estas substâncias são conhecidas pela sua elevada persistência no ambiente, não se degradando facilmente e estando associadas a riscos para a saúde, incluindo alguns tipos de cancro e doenças da tiroide.
O estudo, liderado pelo investigador Ming Zhou, descreve um sensor portátil capaz de realizar testes no local, com elevada sensibilidade e precisão, dispensando a necessidade de análises laboratoriais complexas.
Atualmente, a deteção de PFAS depende sobretudo de técnicas laboratoriais como a cromatografia líquida acoplada à espetrometria de massa (LC-MS/MS), que exigem equipamentos caros, preparação de amostras e técnicos especializados. Este processo pode ultrapassar os 200 dólares por amostra, tornando-se pouco acessível para regiões remotas ou países em desenvolvimento.
Segundo os investigadores, esta limitação foi um dos principais motivos para o desenvolvimento de uma alternativa mais simples e acessível.
“Se considerarmos o método tradicional como o equivalente a um teste de laboratório complexo, esta tecnologia aproxima-se de um teste rápido, mas com resultados quantitativos”, explica Ming Zhou.
O sistema funciona como um sensor portátil capaz de identificar especificamente determinados PFAS, permitindo a monitorização direta no terreno, sem necessidade de enviar amostras para laboratório.
O doutorando Lipeng Gan, que participou no desenvolvimento do projeto, destacou o potencial da tecnologia para tornar a monitorização mais acessível e eficiente.
Os investigadores sublinham que a solução poderá ter impacto significativo na vigilância ambiental, especialmente em regiões onde o acesso a infraestruturas laboratoriais é limitado, contribuindo para uma deteção mais rápida e eficaz da contaminação por PFAS.









