“O futuro tem v de volta” é o mote da marca do Sistema de Depósito e Reembolso que arranca a 10 de abril

Com a marca volta, o desperdício é transformado em valor: uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata. Ao devolverem as embalagens num ponto de recolha volta, os consumidores recebem o seu reembolso e, com o seu gesto, contribuem para um país mais sustentável.

Ana Filipa Rego

Volta é o nome da marca do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) que será implementado em Portugal no dia 10 de abril. A partir desta data, garrafas e latas, de plástico, metal e alumínio, inferiores a 3 litros – identificadas com o símbolo volta – passam a integrar um sistema de reciclagem dedicado.

Ao devolver as embalagens nos Pontos de Recolha volta, disponíveis em supermercados e hipermercados espalhados por todo o país, nos quiosques volta ou num dos milhares de pontos de recolha manual previstos, o consumidor recebe de volta o valor de depósito que pagou no ato de compra e, com este gesto, garante que as embalagens têm uma nova vida. Sob o mote “O futuro tem v de volta”, a marca foi apresentada ao público esta quarta-feira, 4 de março.

Com a volta, cada ação conta. A marca coloca o cidadão-consumidor no centro da economia circular, com um modelo de gestão de resíduos exclusivamente dedicado a embalagens de bebidas de uso único, altamente inovador e tecnológico, que permite o rastreio individual de cada embalagem e a elevada qualidade do material reciclado. Assim, com a volta, uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata.

90% de recolha de embalagens de bebidas de uso único até 2029

O objetivo da nova marca é ambicioso: contribuir para que Portugal alcance a meta traçada pela União Europeia, de 90% de recolha de embalagens de bebidas de uso único até 2029.

“A volta nasce para envolver todos os portugueses num gesto com um impacto muito real. Queremos que devolver uma garrafa ou uma lata passe a fazer parte da rotina, sabendo que esse gesto tem valor — para cada pessoa e para o país. A volta é isso mesmo: transformar um hábito do dia a dia numa contribuição concreta para um futuro mais sustentável”, refere Leonardo Mathias, Presidente da SDR Portugal, entidade responsável pela gestão e implementação do sistema em território nacional, citado em comunicado.

Falando no final da apresentação do sistema Volta, de recolha de embalagens de plástico e metal com compensação financeira (10 cêntimos), Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente, recordou, citada pela agência Lusa, que o setor dos resíduos é dos “mais difíceis” em termos de metas europeias, e avisou: “continuamos a produzir muitos resíduos, não estamos a reduzir nem a separar o suficiente”.

Para a governante, “é talvez o maior projeto ambiental alguma vez implementado em Portugal”, e é um investimento de 150 milhões de euros sem financiamento público, disse, recordando que no próximo ano os sacos de plástico de uso único devem também ser substituídos por outros mais sustentáveis.

Em entrevista à Green Savers, Lia Oliveira, Diretora de Marketing e Comunicação da SDR Portugal, já tinha explicado que o impacto do sistema será evidente tanto na redução do desperdício e no aumento das taxas de reciclagem, como na mudança cultural que envolve produtores, retalhistas e consumidores numa lógica de responsabilidade partilhada.

A responsável reconheceu que a instalação de mais de duas mil máquinas em todo o país é um desafio sem precedentes, mas sublinha que o setor do retalho tem sido um parceiro central na construção de uma rede robusta e operacional. A tecnologia desempenhará um papel decisivo, desde a rastreabilidade individual de cada embalagem até à auditoria digital e à transparência do sistema.

Investimento superior a 150 milhões de euros e metas europeias exigentes

Com um investimento superior a 150 milhões de euros e metas europeias exigentes, a SDR Portugal acredita que este é um passo determinante na transição do país para uma economia circular. A mensagem final é clara: o sucesso do sistema dependerá da participação de todos, porque cada garrafa e cada lata devolvidas contam.

A primeira fase da campanha de comunicação arranca hoje dia 5 de março com a ambição de enquadrar o sistema e dar a conhecer a volta a todos os cidadãos-consumidores, através de mensagens informativas e pedagógicas, apelando ao movimento coletivo. A estratégia integrada contempla presença em televisão, rádio, instore media, digital, branded content, marketing de influência, roadshow junto dos Pontos de Recolha e assessoria de imprensa.

  • Como funciona a volta?

O cidadão compra uma bebida e é cobrado um valor de depósito de 0,10€, que é devolvido quando a embalagem é entregue, nas devidas condições. As máquinas automáticas volta reconhecem as garrafas e latas elegíveis do sistema volta – de plástico, alumínio ou metal, inferiores a 3 litros – e permitem a devolução do valor de depósito sob diversas formas: em voucher convertível em numerário, através de voucher de desconto no ponto de venda, carregado num cartão de fidelização, através de outras soluções digitais ainda em desenvolvimento ou ainda pode ser doado a instituições.

  • Onde se localizam os Pontos de Recolha volta?

A partir de 10 de abril, estarão disponíveis cerca de 2.500 máquinas volta, de recolha automática, em supermercados e hipermercados, um pouco por todo o País, que recolhem embalagens, uma a uma. Em zonas urbanas com mais estabelecimentos HORECA, vão existir ainda 48 Quiosques volta, que permitem a devolução automática de grandes quantidades de embalagens. A estes, acrescem ainda os pontos de recolha manuais, de entidades que se queiram juntar ao sistema volta e celebrem acordo com a entidade gestora da marca, a SDR Portugal.

Nos Pontos de Recolha e nos Quiosques volta podem ser devolvidas todas as embalagens abrangidas pela volta, mesmo que tenham sido compradas noutro local. Em breve, estará disponível o mapa com as localizações dos Pontos de Recolha e dos Quiosques no website da volta – www.volta.com.pt.

Já as embalagens volta que sejam adquiridas em cafés, restaurantes, bares, discotecas, unidades hoteleiras e outros estabelecimentos similares podem ainda ser devolvidas nestes locais, mediante apresentação do comprovativo de compra, se solicitado. Estes estabelecimentos só são obrigados a receber as embalagens de bebidas adquiridas e consumidas nos respetivos espaços.

A volta torna a devolução prática e conveniente para o consumidor, garantindo um sistema verdadeiramente nacional e que, ao mesmo tempo, dá resposta às exigências ambientais.

  • Que embalagens são aceites pela volta?

Para serem abrangidas pelo sistema, as garrafas e latas devem conter o símbolo volta e o código de barras legível. Devem igualmente estar intactas, vazias e completas (com tampa incluída no caso das garrafas). Se algum destes critérios não for cumprido, a embalagem não é aceite e o valor de depósito não é reembolsado.

Entre 10 de abril e 9 de agosto de 2026, haverá um período de transição, em que coexistirão no mercado embalagens de bebidas de uso único com e sem símbolo volta. Só às que apresentam o símbolo volta será cobrado o valor de depósito e apenas estas serão aceites para devolução. Pelo contrário, se a embalagem não estiver identificada com o símbolo volta, não será cobrado o valor de depósito, e, nessa situação, também não será aceite nos Pontos de Recolha – devendo ser reencaminhada pelo consumidor, como até aqui, para o ecoponto amarelo.

A partir de dia 10 de agosto, todas as embalagens de bebidas de uso único – garrafas e latas de plástico, metal ou alumínio – inferiores a 3 litros – passarão a ter o símbolo volta e a integrar este Sistema de Depósito e Reembolso.

  • O que acontece às embalagens com símbolo volta, depois de recolhidas?

Depois de devolvidas, as embalagens seguem num fluxo de resíduos dedicado, mantendo assim a alta qualidade dos seus materiais, para os dois Centros de Contagem e Triagem Volta (grande Lisboa e grande Porto) para, posteriormente, serem enviadas para os recicladores e se transformarem em novos materiais. A partir deste processo, dão origem a novas embalagens – uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa, uma lata pode voltar a ser uma lata.

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