O maior escorpião do mundo viveu há 415 milhões de anos. Estava “escondido” na coleção de um museu

A descoberta foi feita graças à reavaliação de fragmentos de fósseis recolhidos na década de 1870 e que estavam armazenados da coleção do Museu de História Natural do Reino Unido.

Redação

O maior escorpião do mundo viveu há cerca de 415 milhões de anos e podia chegar a um metro de comprimento.

A descoberta foi feita graças à reavaliação de fragmentos de fósseis recolhidos na década de 1870 e que estavam armazenados da coleção do Museu de História Natural do Reino Unido.

O trabalho é descrito num artigo publicado na revista ‘Palaeontology’ e vem revelar mais detalhes sobre a vida do Praearcturus gigas, o escorpião gigante que viveu no que é atualmente a Inglaterra e o País de Gales.

Além do tamanho, o escorpião estava também munido de pinças com mais de 16 centímetros de comprimento, pelo que os cientistas acreditam que tenha sido um predador formidável, perseguindo a suas presas pelas várzeas do Devónico Inferior.

O animal viveu numa altura em que a vida em terra firma estava ainda a dar os primeiros passos, quase literalmente. Pequenas plantas e fungos só recentemente tinham começado a espalhar-se pela paisagem e ecossistemas terrestres complexos, como é o caso das florestas, não tinham ainda aparecido.

Nesses tempos há muito idos, a concentração de oxigénio na atmosfera era ainda baixa, em muito por causa da ausência de florestas, pelo que os investigadores entendem que o grande tamanho do Praearcturus gigas deve-se, não a uma elevada concentração de oxigénio atmosférico, como no caso de artrópodes que vieram depois, mas sim à falta de concorrência de outros grandes predadores.

Talvez mais curioso ainda seja o facto de os fósseis sugerirem que o Praearcturus gigas teria levado uma vida semiaquática. Essa ideia vem de estruturas semelhantes a abas no abdómen desta grande escorpião que são também encontradas em crustáceos modernos, como as lagostas.

Os fósseis há mais de 150 anos que estão na posse do museu britânico, mas só agora, com recurso a técnicas modernas de análise e a comparações com outros fósseis, foi possível confirmar que o Praearcturus gigas é, definitivamente, um escorpião, o maior descoberto até agora, e uma espécie de direito próprio.

Descrito pela primeira vez em 1871, o Praearcturus gigas foi inicialmente considerado um grande crustáceo isópode, algo como um bicho-de-conta de proporções gigantescas. Esses fósseis não continham partes anatómicas fundamentais, como a cauda, que teriam permitido a classificação do animal como um escorpião. Isso só veio a ser possível devido à comparação com fósseis encontrados mais recentemente e em melhor estado de conservação.

“Quando pensamos em artrópodes gigantes, as frequentemente imaginam florestas húmidas do Carbonífero com milípedes gigantes ou insetos semelhantes a libélulas, de épocas posteriores da Terra”, diz Richard J. Howard, primeiro autor do estudo.

“Mas o Praearcturus viveu, pelo menos, 50 milhões de anos antes, muito antes da evolução das árvores, quando a vida em terra estava ainda a começar”, salienta o também curador de fósseis de artrópodes do Museu de História Natural.

“Confirmar que este animal é um escorpião altera fundamentalmente a nossa compreensão de como e quando estas criaturas evoluíram para atingirem tamanhos tão extraordinários.”

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