“O SDR representa mais uma oportunidade para as iniciativas de solidariedade”

Recolher tampas de plástico de garrafas e embalagens, entregá-las para reciclagem e converter o valor obtido em apoios concretos foi durante muitos anos um hábito solidário, mas com a nova lei do plástico tudo mudou. À Green Savers, o Ministério do Ambiente e Energia garante que, “no futuro breve, será desenvolvido um modelo que permitirá fazer campanhas específicas”.

Ana Filipa Rego

As chamadas “tampinhas solidárias” marcaram durante muitos anos o panorama da solidariedade em Portugal. A ideia era simples: recolher tampas de plástico de garrafas e embalagens, entregá-las para reciclagem e converter o valor obtido em apoios concretos, sobretudo na aquisição de cadeiras de rodas, próteses ou outros equipamentos médicos. Escolas, associações, empresas e famílias aderiram em massa, transformando um gesto pequeno num movimento nacional com impacto real na vida de muitas pessoas.

Para além da vertente solidária, estas campanhas tiveram também um papel relevante na sensibilização ambiental. Muitas crianças cresceram a aprender a separar resíduos através da recolha de tampinhas, criando hábitos de reciclagem e maior consciência ecológica.

A partir de meados de 2024, este modelo começou a perder viabilidade. A principal razão foi a entrada em vigor da Diretiva (UE) 2019/904, que passou a obrigar que, desde julho desse ano, as tampas de plástico permaneçam presas às garrafas. Esta medida, pensada para reduzir a poluição e melhorar a qualidade dos materiais recicláveis, teve um impacto direto nas campanhas de recolha: ao separar as tampas, comprometia-se não só a quantidade como a qualidade do material encaminhado para reciclagem.

Neste novo enquadramento, iniciativas como a “Operação Tampinhas” foram sendo progressivamente encerradas, após a conclusão das últimas campanhas e a entrega dos apoios ainda pendentes. O modelo tradicional deixou de se adequar à realidade da gestão de resíduos.

Com a entrada em vigor, em abril de 2026, do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), abre-se, no entanto, um novo capítulo. Questionado sobre o futuro destas iniciativas, o Ministério do Ambiente e Energia sublinha que o SDR “representa mais uma oportunidade para as iniciativas de solidariedade”. Entre as possibilidades previstas está a doação do valor do depósito a entidades de solidariedade social. Numa fase inicial, “existe um conjunto de entidades definidas, mas no futuro breve será desenvolvido o modelo que permitirá fazer campanhas específicas, por geografia, por exemplo”.

Segundo o mesmo enquadramento, o SDR “vem criar uma oportunidade para campanhas potencialmente mais transparentes, monetizáveis e rastreáveis, baseadas no valor do depósito e não apenas no valor residual do plástico das tampinhas”, acrescenta.

Por outro lado, diz ainda o Mistério, “separar as tampas das garrafas compromete a quantidade e a qualidade do material reciclável”. Esta foi uma das situações clarificadas na Diretiva UE 2019/904 que estabeleceu a obrigatoriedade de, desde julho de 2024, as tampas estarem presas às garrafas, conclui.

 

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.