O verão também se quer tecnologicamente sustentável

De acordo com os fabricantes, como Apple ou Samsung, os smartphones funcionam dentro de intervalos de temperatura definidos, normalmente entre 0°C e 35°C. No verão, essa margem é ultrapassada com facilidade (basta pensar na onda de calor que atravessámos recentemente em Portugal).

Redação

Por/Autor: LUÍSA VASCONCELOS, COUNTRY MANAGER DA SWAPPIE

Há um ritual que se repete todos os anos assim que as temperaturas sobem: praia, piscina, telemóvel sempre por perto para fotografar ou consultar o mapa e não errar o destino das merecidas férias.  Mas raramente pensamos que esse aparelho está, nesta época, particularmente vulnerável, escondendo aqui uma oportunidade simples para um consumo tecnológico mais consciente.

De acordo com os fabricantes, como Apple ou Samsung, os smartphones funcionam dentro de intervalos de temperatura definidos, normalmente entre 0°C e 35°C. No verão, essa margem é ultrapassada com facilidade (basta pensar na onda de calor que atravessámos recentemente em Portugal): um telemóvel esquecido ao sol, no carro ou junto da piscina pode sobreaquecer, degradando a bateria e comprometendo componentes internos. Somam-se outros inimigos sazonais: a areia, que se infiltra em portas e altifalantes; o protetor solar, cujos químicos danificam ecrãs; a água salgada, corrosiva para os circuitos; e a humidade, que favorece a oxidação. Isoladamente, nada disto é dramático, mas a soma de pequenos descuidos ao longo de vários verões é, muitas vezes, a razão real por detrás de uma bateria que já não dura um dia inteiro ou de um ecrã que deixa de responder ao toque.

Proteger o smartphone não exige esforço técnico, apenas atenção, e aqui todos podemos fazer a diferença para um uso e consumo mais consciente da tecnologia. Cuidados como evitar a exposição direta ao sol, usar capas resistentes à água e areia ou até carregar os aparelhos só quando estejam secos e nunca quentes, podem parecer bom senso, mas são também um dos gestos mais eficazes a favor do ambiente. O maior impacto de um smartphone não está no uso diário, mas na fabricação: segundo a Agência de Transição Ecológica Francesa, cerca de 80% da pegada de carbono de um telemóvel é gerada na produção, podendo um aparelho novo representar entre 30 e mais de 80 kg de CO₂ equivalente ao longo do ciclo de vida. O essencial não é só reciclar bem no fim de vida, mas adiar ao máximo a substituição, já que cada ano adicional de uso representa emissões que deixam de ser geradas.

Segundo o Global E-waste Monitor 2024, apenas 22,3% do lixo eletrónico gerado em 2024 foi documentado como devidamente reciclado, e o crescimento avança a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da reciclagem – uma tendência que cada um pode ajudar a contrariar com escolhas simples.

Cuidar bem do smartphone no verão é assim uma contribuição concreta para uma economia mais circular, sem implicar abdicar da inovação. Comprar um aparelho novo continua a fazer sentido quando justificado por necessidades reais, mas fazê-lo por descuido ou por uma bateria degradada precocemente tem custos que ultrapassam o bolso do consumidor.

Não é preciso grandes transformações, mas antes uma consciência voltada para o bom uso e o prolongamento da vida dos dispositivos, com peso acumulado muito positivo quando multiplicados por milhões de utilizadores. A sustentabilidade tecnológica também começa nos pequenos gestos do quotidiano. Este verão, talvez a atitude mais inovadora não seja correr atrás do próximo lançamento, mas aprender a valorizar e a proteger aquilo que já temos

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