“Óculos de sol chegam” ou “vou só olhar por uns segundos”: Ciências ULisboa desmonta mitos e alerta para observação segura

Fenómeno será visível em todo o território continental, mas a observação direta do Sol sem proteção adequada pode causar lesões graves e irreversíveis na visão.

Redação

Num momento em que o eclipse solar de 12 de agosto deverá captar a atenção de milhares de pessoas em todo o país, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa alerta para a importância de observar o fenómeno em segurança e de recorrer a informação científica credível. Embora apenas uma pequena zona do distrito de Bragança deva atingir uma ocultação praticamente total do disco solar, o eclipse será visível em todo o território continental e deve ser acompanhado com os cuidados adequados.

Ao contrário do que pode parecer, a ocultação parcial do Sol não elimina os riscos associados à exposição direta da retina. “Durante um eclipse, a diminuição da luminosidade cria a ilusão de que é possível olhar diretamente para o Sol. Esse é precisamente o perigo. Habitualmente, a intensidade da luz solar leva-nos a desviar o olhar. No eclipse, esse desconforto diminui e as pessoas podem prolongar a observação sem proteção adequada”, explica Rui Agostinho, astrofísico e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, citado em comunicado.

As lesões podem ocorrer sem dor imediata e os primeiros sinais, como manchas escuras, zonas desfocadas ou perda parcial da visão, podem surgir apenas no dia seguinte.

Persistem ideias erradas sobre formas “seguras” de observar este fenómeno, por isso Ciências ULisboa esclarece 4 mitos com informação científica e fundamentada:

  1. “Óculos de sol normais chegam”

Mesmo os óculos de sol mais escuros não devem ser usados para olhar diretamente para o eclipse. A observação só deve ser feita com óculos certificados para observação solar ou filtros próprios para esse efeito. Vidros fumados, vidros escurecidos, radiografias ou outros materiais improvisados também não são seguros. No caso dos vidros de soldador, apenas os de densidade 14 garantem proteção adequada.

  1. “Vou olhar só por uns segundos, não há problema”

Durante o eclipse, a menor luminosidade pode dar uma falsa sensação de segurança. Mas a radiação continua a atingir a retina e as lesões podem acontecer sem dor imediata. Por isso, a recomendação é simples: não olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada, mesmo durante pouco tempo.

  1. “As crianças podem observar como os adultos”

As crianças exigem cuidados redobrados. A retina dos mais novos deixa passar mais luz do que a dos adultos, aumentando o risco de lesão, e nem sempre é fácil garantir que usam corretamente os óculos durante toda a observação. Por isso, o eclipse deve ser observado sempre com acompanhamento de adultos e apenas com equipamento certificado.

  1. “A praia é o cenário perfeito”

Se é verdade que a praia oferece um cenário ideal para desfrutar do fenómeno, também é um facto que é o local mais perigoso. Com o horizonte desimpedido e o Sol sobre o mar, é mais fácil e tentador olhar automaticamente sem proteção. Por isso, quem quiser observar o eclipse deve levar óculos certificados e usá-los sempre que olhar diretamente para o Sol. Este ano o eclipse acontece numa altura em que muitas pessoas estarão de férias e fora do contexto escolar, onde normalmente há mais ações de sensibilização.

Embora muitos dos óculos distribuídos gratuitamente já tenham esgotado, continuam disponíveis para compra em vários estabelecimentos comerciais. Para Rui Agostinho, a compra é um investimento: “Teremos eclipses do Sol com elevada percentagem de ocultação visíveis em Portugal em 2026, 2027 e 2028. Se os óculos forem bem conservados, poderão voltar a ser utilizados.”

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa reforça a importância de consultar fontes científicas credíveis e de seguir recomendações seguras. Mais informação pode ser consultada na página https://eclipse2026.pt/observar-em-seguranca

 

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