Odores reais: Feromonas de abelhas-rainhas ajudam filhas a decidir se ficam na colónia ou a deixam para sempre

Uma nova investigação vem agora revelar que as rainhas das abelhas da espécie Megalopta genalis emitem sinais químicos que servem para as suas filhas tomarem uma das decisões mais importantes das suas vidas: permanecer na colónia para ajudar a rainha como fêmeas não reprodutoras ou deixar o “ninho” para criarem a sua própria colónia.

Redação

Alguns insetos, como formigas, abelhas e térmitas, formam sociedades complexas e de grandes dimensões, governadas, geralmente, por rainhas, que são os únicos indivíduos que se reproduzem.

Vários estudos indicam também que as monarcas segregam feromonas que ajudam a controlar os restantes membros da colónia, todos seus descendentes, e a manter o grupo estável e próspero.

Uma nova investigação vem agora revelar que as rainhas das abelhas da espécie Megalopta genalis emitem sinais químicos que servem para as suas filhas tomarem uma das decisões mais importantes das suas vidas: permanecer na colónia para ajudar a rainha como fêmeas não reprodutoras ou deixar o “ninho” para criarem a sua própria colónia.

Exemplar de Megalopta genalis. Foto: USGS Bee Inventory and Monitoring Lab.

Num artigo publicado na revista ‘Proceedings of the Royal Society B – Biological Sciences’, a equipa de investigadores, liderada pelo Instituto Smithsonian de Investigação Tropical, descobriu que as abelhas-rainhas dessa espécie usam feromonas para tentar convencer as suas filhas a ficarem na colónia em que nasceram.

Os cientistas sugerem que a decisão depende da saúde da própria rainha e do facto de a saída das filhas da colónia ser ou não a melhor forma de disseminar os genes da família.

“Estamos interessados na evolução da cooperação e, neste caso, em como [as abelhas Megalopta genalis] decidem se a cooperação vale ou não a pena”, diz Callum Kingwell, primeiro autor do estudo. E acrescenta: “as nossas observações oferecem uma visão rara sobre como as sociedades de insetos podem inicialmente ter evoluído”.

A investigação decorreu na Ilha de Barro Colorado, no Panamá, onde durante anos os cientistas estudaram as vidas destas abelhas, para perceberem se as filhas da rainha ficavam na colónia de nascimento e convertiam-se em trabalhadoras não reprodutivas, se usurpavam a governante e assumiam o trono ou se se lançavam em busca da sua própria sorte no mundo exterior.

Além disso, usaram técnicas avançadas, como cromatografia gasosa e espectrometria de massa, para identificar e quantificar as feromonas emanadas pelas rainhas.

Com base nos resultados, os investigadores sugerem que as feromonas da rainha influenciam as filhas de duas formas. Por um lado, elevados níveis de feromonas reais, associados a um bom estado de saúde da rainha, inibem o desenvolvimento do aparelho reprodutor das filhas. Por outro, esses mesmos sinais químicos dão a conhecer o estado de saúde da governante, e quanto melhor for maior será a capacidade da abelha-mestra para continuar a propagar os genes da família.

Quanto mais elevados eram os níveis de feromonas, avançam os cientistas, maior a probabilidade de as filhas ficarem na colónia, provavelmente por saberem que a responsável pela disseminação dos genes continua apta para cumprir a sua missão.

“A evolução da cooperação é uma questão fundamental que vai muito para além dos insetos”, salienta Kingwell. “O nosso trabalho mostra como a comunicação química pode ajudar os indivíduos a decidirem quando vale a pena cooperar, fornecendo perspetivas relevante para a biologia evolutiva, o comportamento animal e os sistemas sociais de forma geral.”

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