O Brasil tem grandes planos para a sua indústria de óleo de palma. Este “óleo mágico” está presente em todo o lado, da beleza, aos lubrificantes para automóvel e biodiesel, passando por inúmeros usos culinários. Sozinho, representa cerca de 40% do comércio mundial de todos os óleos vegetais e a sua produção praticamente que duplicou nos últimos anos. Mas Malásia e Indonésia, juntos, detêm uma quota de mercado superior a 80%.

A produção brasileira ainda é relativamente diminuta, sobretudo quando comparada com estes dois estados, mas tem, dizem estudos na posse do governo, uma área enorme de terreno apropriado para o cultivo desta palmeira, pelo que as hipóteses para crescer neste lucrativo negócio são enormes. O Brasil é, aliás, uma das maiores super-potências agrícolas, o maior exportador mundial de café, de milho, soja açúcar e de carne bovina. Nos últimos anos, as explorações de óleo de palma mais do que duplicaram e tudo aponta para que assim continuem pela próxima década.

Eis que entra o grande problema: porque os terrenos apropriados serão, na sua maioria, conquistados à floresta, sobretudo na Amazónia. É um problema recorrente a toda a exploração de óleo de palma no mundo, tal como inúmeras organizações têm vindo a alertar, criticando a desflorestação e a consequente perda de biodiversidade. O próprio Parlamento Europeu já se pronunciou, procurando definir regras para este comércio (a EU é o maior importador) no sentido de defender as florestas tropicais.

As pressões económicas para a atribuição de terrenos utilizáveis na Amazónia serão enormes. Se aprendemos algo com os exemplos na indústria madeireira, gado e soja, é que geralmente essas pressões encontram algum eco junto de entidades “permeáveis”. E a actual indefinição política só acentua esses receios…

Foto: Creative Commons

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